Treinar para jogar ou jogar para treinar?

O tão ansiado regresso do futebol distrital traz (mais) um grande desafio às equipas técnicas: preparar as equipas para a competição, embora sem muito tempo de treino, o que fará com que se deparem com situações nos jogos com a qual deviam ter sido treinadas com tempo. Não haverá tempo para treinar, mas terá igualmente de haver uma adaptação ao esforço pós-paragem, o que limitará ainda mais o tempo do “jogar” em treino. O que fazer? Como treinar? Como usar o pouco tempo de treino? Que conteúdos serão os mais importantes? Tudo isto são questões que certamente estão presentes nas cabeças dos treinadores, que mais uma vez serão “ginastas mentais do treino e do jogo”.

Na minha opinião temos de partir esta abordagem em 3 grandes aspetos: o readaptar dos atletas do ponto de vista físico, os conteúdos de treino para que a nossa equipa adquira conhecimentos o mais rapidamente possível, e por fim aquilo que serão as abordagens aos jogos.

Partindo do pressuposto que os jogadores cumpriram o que os treinadores lhe pediram para se manterem ativos e no sentido de prevenir lesões, a reabilitação mecânica e motora será mais rápida e efetiva, no entanto, é preciso dedicar algum tempo a treinar aquilo que são alguns princípios base, em contexto micro e em último caso até analítico, para que todos estejam ao mesmo nível fisicamente e com as ações do jogo (re)aprendidas.

Os conteúdos de treino e as abordagens aos jogos serão os grandes pilares do trabalho seguinte, uma vez que temos de aprimorar a nossa forma de jogar, sem esquecer que temos adversários, com determinados comportamentos já definidos (e que espero terem sidos passados aos jogadores por imagem e vídeo durante o confinamento para que seja mais rápida esta aquisição de conhecimentos em treino). O ideal é jogar, o melhor exercício de treino é o 11×11, treinar o jogo…jogando-o! Com volumes a definir, com espaços diferentes, com constrangimentos em relação ao jogo, mas tudo deve ser em contexto de jogo o mais formas possível, e depois complementar com vídeo. Usar o treino de conjunto, algo irradiado pelos treinadores “modernos” não será uma boa solução? Foco na nossa equipa, mas sem nunca esquecer os vários tipos de abordagens a que os nossos adversários nos vão colocar, e como resolver. As bases estarão lançadas, mas o jogo é tão complexo, e o tempo de treino é tão escasso que muitos destes comportamentos serão somente automatizados…em jogo!

Passo a bola aos treinadores, venham de lá os domingos de jogo, que neste caso serão autênticas pré-épocas em competição, pelo que o melhor é mesmo treinar, praticando em treino…o nosso jogo!

Diogo Castela (Treinador de futebol)

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