TESTE À COMPETITIVIDADE

Arrancou mais uma edição do campeonato português e a dúvida é se a competitividade que existiu nas últimas duas temporadas se irá manter. A verdade, apesar da diferença, na época transata, entre o habitual top-4 e as restantes equipas ter sido novamente considerável (11 pontos, contra 5 em 219/20), parece evidente que a dificuldade das principais formações lusas a nível interno tem vindo a aumentar.

Se no início da época anterior Benfica e FC Porto, sobretudo, passeavam pelos relvados portugueses, esse cenário deixou de se verificar e as goleadas têm vindo a diminuir. Por outro lado, se o Sporting se sagrou campeão sem derrotas na época passada (perdeu apenas depois de já ter consumado o título), é igualmente verdade que os Leões passaram por mais dificuldades em alguns desafios do que aquelas que ao resultados enunciam.

De facto, têm surgido vários projetos interessantes e são vários os jogadores credenciados que já escolhem atuar nas restantes formações da Liga. O Famalicão tem sido o exemplo paradigmático desta realidade, conseguindo uma rentabilização desportiva e financeira fantástica (Pedro Gonçalves, Ugarte, Anderson ou Toni Martínez são exemplos), mas existem outros conjuntos em evidência como o Paços de Ferreira, Belenenses SAD, Moreirense ou Santa Clara. Mesmo o Vitória, apesar de ficar sempre aquém para os seus adeptos, tem feito o seu caminho, ao passo que o Rio Ave, após um 5º lugar há dois anos, acabou por descer na época passada contra todas as previsões.

No fundo, os vilacondenses espelham aquilo que a maioria das equipas quererão evitar. Após uma grande época, o Rio Ave perdeu o treinador (Carlos Carvalhal), vários jogadores (Taremi, Nuno Santos, Matheus Reis, Piazón ou Musrati) e mergulhou numa crise profunda, que culminou com o regresso indesejado à II Liga.
Este sentido, num olhar superficial e antes do mercado estar fechado (até31 de agosto muito pode mudar) parece evidente que a maioria dos planteis perdeu qualidade e existe a dúvida se irão conseguir manter o nível competitivo.

Santa Clara, Moreirense Vitória, que mantêm, a base, serão exceções, mas formações como o Belenenses SAS, Paços de Ferreira, Gil Vicente, Tondela, Boavista, Famalicão e os regressados Arouca, Estoril e Vizela deixam, nesta altura, muitas dúvidas sobre aquilo que poderão apresentar dentro das quatro linhas.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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