Ténis de Mesa: Centro Cultural de Arrabães aposta na formação

O Ténis de Mesa pode não estar no cerne da constituição do Centro Cultural e Recreativo de Arrabães, uma coletividade de uma freguesia do concelho de Vila Real, mas é com certeza a modalidade que mais notoriedade trouxe ao clube desde o início da sua prática, na época desportiva 1988/1989.

Há mais de 30 anos que este modesto clube, sediado na aldeia de Arrabães, em plena Serra do Marão, dá cartas no Ténis de Mesa, do Minho ao Algarve, amealhando vários títulos nacionais, individuais e coletivos.

O Centro Cultural foi fundado em 1980, mas a sua génese vem da década de 70, altura em que, um grupo de pessoas da aldeia, animava as festas populares com ranchos, bombos, zés pereiras e peças de teatro. “Na origem do clube está o Rancho Folclórico, fundado em 72. Por necessidade de obter apoios criou-se a coletividade, porque os centros culturais e recreativos tinham, à época, mais facilidade em aceder a apoios. Transformou-se, assim, o Rancho Folclórico em Centro Cultural e Recreativo”, recordou Rodrigo Costa, presidente da coletividade.

Com o passar dos anos, a animação cultural foi sendo substituída pelo Ténis de Mesa, mas o teatro ainda resiste. “Foi com essas festas e com os teatros que conseguimos erguer a nossa sede, na aldeia de Arrabães, onde também se concentra a prática desportiva”, referiu.

Rancho folclórico na génese do clube desportivo

A prática desportiva regular, com atletas federados, iniciou na época 88/89. O clube era constituído por um conjunto de jovens, que eram, no essencial, os pais de alguns dos atuais atletas. Todavia, só em 2005 alcançaram o primeiro título nacional. “Em 90 fomos campeões distritais. De 90 até perto de 2000, a nossa atividade foi essencialmente regional. só a partir daí é que começamos a organizar a nossa atividade a nível nacionais. Em 2005, a Cátia Pinto sagra-se campeã nacional de iniciados, no escalão até 10 anos. Depois disso, Sara Rocha foi duas vezes campeã nacional, primeiro em individual e depois em pares, com uma atleta de Chaves, um ano depois”, informou Rodrigo Costa.

Atualmente, com 20 atletas inscritos, desde os mais pequenos, com cinco anos, aos seniores, o Centro Cultural pretende alargar horizontes, somar mais títulos nacionais e afirmar-se no feminino da modalidade. “Neste momento estamos no Campeonato Nacional da 2ª Divisão de seniores masculinos e somos um candidato à subida à Divisão de Honra. Mas queríamos participar nos nacionais femininos, que acarreta deslocações maiores, com viagens às ilhas, e por isso é uma competição mais dispendiosa. Como há menos raparigas a competir, têm que percorrer mais quilómetros, algo que não é compatível com a nossa capacidade financeira”, sublinhou.

Prática desportiva em tempos de Covid-19

Com a Covid-19, o clube esteve algum tempo parado. Agora, retomada que está a atividade, os treinos decorrem normalmente, com um número máximo de atletas e a higienização de espaços, mesas, bolas e chão. “Estamos a cumprir as normas”, referiu o dirigente.

Os atletas tentam conciliar os treinos, mas a prática não pode parar. Vicente Queirós, de 7 anos, é um dos elementos mais novos. Começou há mais de um ano a treinar, ainda tinha 5 anos. “Gosto de jogar ténis de mesa e gostava de, no futuro, ganhar títulos individuais e coletivos”, contou.

Já Tiago Olhero, de 12 anos, já somou alguns títulos. Foi campeão nacional de pares na última época. O irmão, Pedro Olhero, é o treinador. “Comecei aos 6 anos, por causa do meu irmão e cada vez fui jogando melhor. Quero ser jogador profissional”, disse.

Uma das grandes promessas do clube é Sílvia Silva, de 14 anos. “Comecei por volta dos 6 anos. Porque para poder ir longe tem que se começar cedo. Gostava de ser chamada à seleção”, contou sílvia, que já somou o terceiro lugar nacional de iniciados e vice-campeã de pares infantis e já foi várias vezes ao pódio a nível nacional.

O clube é, habitualmente, apoiado por Câmara e Junta de Freguesia, mas os apoios são escassos para as despesas inerentes às deslocações a provas nacionais. Por essa razão, Rodrigo Costa tem a ambição de melhorar as zonas sociais da sua sede – que foi intervencionada em 2017 com a ajuda da autarquia – e criar outras fontes de financiamento. “Somos apoiados pela Câmara e Junta de Freguesia, mas esses apoios têm limites.

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