Telma sexto título

Conquistar uma medalha num Campeonato da Europa já é um feito por si só, mas fazê-lo em casa mesmo sem púbico nas bancadas, acarreta sensações especiais. Foi esse sentimento que viveram ontem a campeã Telma Monteiro, recordista de medalhas no torneio, e João Crisóstomo, um, outsider que surpreendeu com o bronze nos – 66Kg.

Telma, nome próprio que infunde respeito nos tatâmis, conquistou nada menos do que o sexto título europeu, ao bater na final da categoria de -57kg, a eslovena Kaja Kajzer. Foi a 15ª medalha em 15 participações em Campeonatos da Europa, um feito sem paralelo o sector.

 Aos 35 anos, Telma Monteiro continua a dar cartas no panorama do judo internacional. Depois de ter já garantido uma medalha, ao apurar-se para a final (num percurso com vários golden score), a judoca de Almada voltou a precisar do ponto de ouro para conseguir o título. E fê-lo com um ippon aos 39 segundos do desempate por golden score, num movimento que deixou Kaja Kajzer no chão e que, de certa forma, serviu de resposta a uma derrota sofrida diante da mesma adversária, em 2018.

 Esta Sexta medalha de ouro em Europeus junta-se às duas de prata e às sete de bronze que já venceu ao longo da carreira nesta competição – já havia sido campeã em Tampere (2006), Belgrado (2007), Tbilissi (2009), Cheliabinsk (2012) e Baku (2015).

Para a atingir, Telma Monteiro teve de desbravar caminho até à final. Começou por afastar a experiente austríaca Sabrina Filzmoser (wazaari) e belga Mina Libeer (ippon), marcando depois encontro com a Kosovar Nora Gjakova, a mais citada atleta da categoria em Lisboa. Após mais de dez minutos de combate, a portuguesa impor-se-ia por ippon.

 Este resultado, mais um de altíssimo nível, será um importante para encarar com optimismo, uma presença nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no final de Julho. E os sorrisos (e lágrimas) que mostrou na cerimónia da entrega de medalhas serão um, sinal de que os sacrifícios que tem feito (a combater também, as lesões) continuam a dar frutos.

 “É fantástico. É difícil encontrar palavras, foi duro, foi uma preparação muito dura. Magoei-me no ombro quando me estava a preparar para o Europeu e para o apuramento olímpico. Tinha esta oportunidade de disputar o título em casa, ou extremamente difícil, mas quando acordei de manhã, senti que ia fazer história”, resumiu Telma, à RTP.

 Quem também, fez história foi João Crisóstomo, ao arrebatar a medalha de bronze em -66kg. No final de um dia de competição extremamente, com várias vitórias no golden score até chegar ao combate pelas medalhas (deixou pelo caminho o polaco Patrick Wawrszyzek, o azerbaijano Nijat Shikhalizada e o espanhol Gaitero Martin, todos eles mais cotados), o judoca de 26 anos levou de vencida o bielorrusso Dzmitry Minkou nos derradeiros instantes, aos 4m32s.  “Não sou um atleta de resolver os combates logo ao início, não sou tão explosivo como outros, mas sou forte na resistência e consegui levar o combate até ao fim”, resumiu.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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