Subir ou não subir, eis a questão

Desistência de equipas do Campeonato de Portugal não significa que o lugar seja ocupado por equipa da mesma associação


A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) deu por concluído, no passado mês de abril, o Campeonato de Portugal (CP). Nesse sentido, dos 72 participantes, está confirmada a permanência de 70 equipas, em teoria, já que duas subiram à Liga Pro.

Entretanto, no passado mês de maio, a FPF anunciou a criação do terceiro escalão do futebol nacional, com início em 2021/2022, que obrigará a uma reformulação do Campeonato de Portugal já na próxima época. Assim, em 2020/2021, vão competir nesta prova 96 equipas: duas vindas da Liga Pro, 70 que permanecem, 20 que ascendem das competições distritais e quatro novas equipas B.

Nas competições regionais, a equipa com mais pontos conquistados de cada associação tem lugar garantido na próxima edição do CP. Na AF Vila Real, o clube convidado foi o Mondinense, e na AF Bragança o Vimioso, que, entretanto, já confirmaram a presença no CP.

À partida, em relação ao CP, está tudo definido para a próxima época… só que não. Com algumas desistências já anunciadas, prevê-se que mais clubes dos distritais possam subir ao nacional de futebol. Mas sempre que um clube desiste, não é garantido que outro da mesma associação possa ocupar o seu lugar.

No Campeonato de Portugal podem desistir várias equipas. O Chaves Satélite acabou. O presidente do Ginásio Figueirense admite não inscrever equipa. O Cerveira e o Câmara de Lobos precisam de apoios. AD Oliveirense e União da Madeira estão, também, em risco de desistir.

AF Porto é a principal beneficiada em caso de desistências no Campeonato de Portugal

Segundo as regras atuais, a possível desistência de um ou mais clubes garante a promoção a pelo menos um emblema das associações com “maior número de clubes a disputar as provas seniores”, conforme está elencado no ponto 7 do artigo 25 do regulamento do CP.

A AF Porto é a primeira a beneficiar desta premissa e viu dois clubes subirem aos nacionais em cada uma das últimas duas épocas: o campeão e o “repescado” Valadares, em 2019, e o Leça, em 2018. Para 2020, de acordo com este regulamento, o Tirsense foi oficialmente convidado a subir.

No que concerne aos clubes filiados na AF Vila Real, nesta temporada, o Chaves Satélite já anunciou a desistência, o que abre uma vaga no Campeonato de Portugal, mas que não será ocupada – segundo a lei atual – por um clube local.

Sabe-se que o atual regulamento está em análise pública até segunda-feira e há uma possibilidade de ser revisto, por forma a beneficiar clubes filiados nas mesmas associações, pois refere que este ano excecionalmente o clube que desista é substituído por um da mesma associação. Nessa lógica, pela desistência do emblema flaviense, o clube que se classificou em segundo lugar na Divisão de Honra poderia subir, o que abriria as portas do Campeonato de Portugal ao Vidago FC.

A verdade é que, para já, por cada equipa do Campeonato de Portugal que desiste, o substituto convidado será o 2ª classificado de uma das seguintes associações (mais representativas): AF Porto, AF Lisboa ou AF Braga.

Em 2019/2020, competiram no Campeonato de Portugal seis equipas transmontanas: SC Vila Real, Montalegre, Pedras Salgadas, Chaves Satélite, Mirandela e Bragança. Excluindo o Chaves, vão juntar-se a estas, para já, o Mondinense e o Vimioso.

Filipe Ribeiro

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