SENTIDO NORTE-SUL

O anunciado acordo entre o Benfica e João Mário trouxe à superfície a velha questão das cláusulas antírrivais, matéria sempre polémica no âmbito laboral. No fim do dia, os tribunais dirão de sua justiça e trarão uma clarificação sobre esta matéria, que há muito faz falta.

Sempre pensei que este tipo de restrições não eram mais do que apólices de seguro conta o medo, dos clubes vendedores, que contavam com a anuência do elo mais fraco, o jogador, ansioso por assinar contrato.

Não parecem justas, nem do ponto de vista legal, prolongando o âmbito do contrato de trabalho para lá da sua vigência, muito menos do ponto de vista ético, procurando limitar a concorrência. Se o Benfica e João Mário seguirem em frente com a vontade de casamento, e o Sporting mantiver a intenção de contestar a união, far-se-á luz, na sentença de um juiz, sobre esta matéria controversa, o que pode e deve balizar este tipo de prática, no futuro.

Mas fará sentido o Benfica contratar João Mário? Claro que sim. Aos 28 anos, estamos perante um jogador que interpreta a posição oito como Jorge Jesus mais gosta, e que pode fazer um duplo pivot de excelente nível com Weigl, desde já aculturado às ideias do mister. João Mário dá fiabilidade à temporização, e fornece consistência à circulação de bola, sendo ainda eficaz nos lances de um-contra-um, tudo isto embrulhado numa grande disciplina tática. Escrevi vezes sem conta, ao longo da última época, que o Benfica cometera um erro crasso ao não contratar um jogador de alto nível para esta posição, entregue, à vez, à pouca mobilidade de Gabriel, à anarquia de Taarabt, ou à falta de rotinas de Pizzi.

Com a época a decidir-se, naquilo que mais importa ao Benfica, a partir do início de agosto, com a realização da terceira pré-eliminatória da Champions, o relógio corre contra os encarnados, que não podem, perder tempo com telenovelas, como tem, sido hábito de há vários anos a esta parte, sob pena de Jorge Jesus, já condicionado por lesões prolongadas e chegada tardia dos que estiveram no Euro e Copa América, não ter condições para apresentar um onze minimamente coerente e credível.

Sabendo-se o que está e jogo, e que Domingos Soares Oliveira plasmou na ideia, ou Champions ou redução da massa salarial, a pergunta é, “estão à espera de quê”?

Orlando Fernandes (Jornalista)

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