SCHMIDT E O BENFICA

Roger Schmidt será o novo treinador do Benfica. O sucessor de Nelson Veríssimo não tem um currículo inquestionável – apesar de alguns bons trabalhos, nomeadamente agora no PSV Eindhoven, a verdade é que só foi campeão da Áustria, pelo Salzburgo – e apresenta-se como uma aposta de risco de Rui Costa, mas perfeitamente justificada, atendendo ao contexto em que as águias têm vivido nos últimos três anos e à imprescindível mudança de paradigma que permita ao antigo “maestro” afirmar-se agora também como presidente.

Escolher um português depois do que aconteceu a Bruno Lage e a Jorge Jesus, mesmo estando alguns dos melhores disponíveis no mercado – lembro-me de Leonardo Jardim e Paulo Fonseca, que estão sem clube, e até Carlos Carvalhal em fim de contrato com o Braga -, comportaria ainda mais riscos para Rui Costa e para o Benfica do que a contratação de um treinador estrangeiro, de uma escola também de reconhecido valor, a alemã, que tem, atualmente como maiores expoentes Jurgen Klopp (Liverpool), Thomas Tuchel (Chelsea) e Julian Nagelsmann (Bayern Munique).

Roger Schmidt terá a difícil missão de fazer regressar o Benfica aos títulos, depois de três épocas quase em branco – o único troféu conquistado neste período foi a Supertaça, em 2019, ainda com Bruno Lage no comando, antes da pandemia da covid-19 trocar as voltas ao futebol e ao Mundo. Como é com vitórias que se ganham campeonatos, parece-me ainda mais natural a escolha do alemão, pois trata-se de alguém, que privilegia um futebol de ataque.

O primeiro passo de Rui Costa vai na direção certa, mas falta-lhe dar o mais complicado: colocar à disposição do treinador um plantel que lhe permita materializar essa ambição de vitórias em títulos. O que, parece-me será muito difícil se não se seguir uma remodelação precisa do atual grupo de jogadores. Rui Costa e Roger Schmidt têm escolhas a fazer.

Orlando Fernandes (jornalista)

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