Sabemos o que fizeste no jogo passado

As competições profissionais têm decorrido e podemos afirmar que ainda são das poucas distrações, espetáculos que nos permitem “desligar”, por momentos, da situação atual de pandemia, dor e ansiedade em que vivemos.

Infelizmente o futebol profissional não tem tido por parte dos seus protagonistas, mais mediáticos, atitudes que apaixonem o adepto pelo desporto. Continuam os egos e a bacoquice das guerras e guerrinhas. A gestão emocional é uma competência intrínseca aos vencedores.

Os presidentes, dirigentes, treinadores ou funcionários dos clubes têm de ser penalizados monetariamente pelos seus atos. Coimas elevadas. Se tiverem coimas de milhares de euros, duplicando a cada ação, vamos ver se aprendem a perder ou não. Quando lhe forem aos bolsos vão começar a pensar antes de terem comportamentos saltitantes. Não é preciso suspender os agentes desportivos. É aplicar-lhe multas em função dos ordenados de luxo que recebem. Esta solução é válida para todos os agentes ligados aos clubes: do dirigismo à comunicação.

Atirar culpas pelo insucesso para os outros é estar a desresponsabilizar quem decididamente deve ser melhor e assim estar mais perto de ganhar. E são os que recebem MILHÕES. Repito: MILHÕES.

Estes comportamentos desviantes só servem para os paineleiros e pseudocomentadores e as suas teses mirabolantes de entendidos de tudo e de todos, além de julgarem o próximo pelo seu próprio espelho. Se o ridículo matasse!! Mas no desporto não existem ses. Já nada os envergonha. Será que pensam que estamos no século passado e somos “carneirada” que engole tudo?! Que não sabemos diferenciar o que é sério e o que é encenado? O que é certo e o que é errado? Quem tem agenda própria e presta vassalagem e quem não tem?

O que hoje é penalty, amanhã se for contra nós já não o é. O atleta que comete um erro é um vendido quando é contra o nosso clube, se for a nosso favor foi infeliz. Quem dá palco a esta gente?! Formação académica não é sinónimo de valores. Muitos antigos dirigentes, treinadores, jogadores ou árbitros também já se esqueceram de onde vieram.

Os clubes que tanto protestam, e são sempre os mesmos, nada fazem para alterar o rumo da situação. Não interessa puxarem pela memória. Basta que pensem no presente e no esforço louvável que fazem para jogarem de 3 em 3 dias e valorizarem o que se tem. De que vale tanto trabalho, tanto esforço e dedicação se depois tudo se resume a fazerem ruído? Nem desfrutam do jogo, nem deixam que o façamos. Os regulamentos disciplinares podem sempre ser melhorados. Porque têm os clubes medo de o fazer?! Porque preferem que tudo se mantenha na mesma?!

A pressão exercida sobre a arbitragem ajuda a que as situações não corram como todos desejávamos. É demasiado. Ultrapassa limites. Os comportamentos nos bancos são de bradar ao céu. Ninguém assume responsabilidades?! Os árbitros portugueses quando atuam em jogos da UEFA ou da FIFA não tem tido grandes problemas. Não são piores que os dos outros países. Porque os agentes desportivos (dirigentes, treinadores, diretores de comunicação, jogadores), que por cá tanto falam e saltam, nas competições europeias têm comportamentos civilizados e de desportistas? Afinal sabem estar, mesmo quando não ganham!! Então em que ficamos?! Fora de portas todos se sabem comportar e ter boas prestações. Quando entram em território nacional é o ruído completo.

Queremos desporto. Futebol. Espetáculo. Competição. É assim tão difícil perceber isso?!

Vítor Santos (Embaixador do Plano Nacional de Ética Desportiva)

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