RUMO AO CATAR

 Portugal carimbou o apuramento para o Mundial 2022, que será organizado pelo Catar. O país asiático continua em preparativos para ter tudo pronto para quando a prova se iniciar, em novembro, mas já é certo que Portugal é uma das seleções presentes. Desde 1998 que o conjunto das Quinas não falha qualquer grande competição, algo apenas replicado por potências como a Espanha, França e Alemanha, sendo que a Inglaterra também entra neste lote de exceção se excluirmos os europeus. Ainda assim, desta vez foi preciso suar.

 Portugal necessitou de três match-points para garantir a vaga e, se contra a Sérvia o mesmo foi desperdiçado, no playoff a conversa foi outra. Os jogadores encararam o desafio com o máximo empenho, entraram para dominar e confirmar o favoritismo dentro das quatro linhas, pelo que os triunfos sobre Turquia e Macedónia do Norte acabaram por chegar com alguma naturalidade.

 A verdade, Portugal possui hoje um dos elencos mais poderoso do globo e, se aliar isso a uma atitude competitiva e concentração máxima, certamente que será muito difícil de derrotar por parte de qualquer opositor. Para já esta tarefa primordial foi cumprida, mas há mais para conquistar. Nesse sentido, sonhar no Catar é permitido e as primeiras barreiras chamam-se Uruguai, Gana e Correia do Sul. Em causa estão curiosamente, três adversários ligados a campanhas de má memória da Seleção Portuguesa.

 O Uruguai eliminou Portugal no último Mundial, com Cavani a destruir o sonho luso nos oitavos-de-final. Já a Coreia do Sul (agora treinada por Paulo Bento) foi o carrasco em 2002, ano em que organizou a competição, ao passo que o Gana, com o qual até fomos felizes em 2014, esteve presente num grupo onde Portugal não conseguiu ficar nos dois primeiros lugares. Por certo Fernando Santos quererá que a história em 2022 seja outra, sendo que o contexto é claramente distinto no presente.

 Portugal entra hoje no lote de favoritos, mas também entrava no Euro´ 2020 e caiu demasiado cedo. Contra nós corre também um histórico amplamente negativo em mundiais organizados fora do continente europeu (o clima pode ser um adversário), algo que certamente serve de aviso em relação à preparação.

 Contudo, com este lote de jogadores a experiência reunida e o quadro em causa (o cruzamento com o Grupo G nos oitavos também otimismo) é possível almejar a chegar longe, muito longe.

Orlando Fernandes (jornalista)

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