RUI COSTA E A CIDADANIA BENFIQUISTA

A excelente prestação desportiva da equipa de Jorge Jesus tem sido decisiva para o tom pouco inflamado em que vai decorrendo a pré-campanha eleitoral do Benfica. Rui Costa, que teria sempre uma vantagem, acrescida por ser figura de referência do universo encarnado, vive assim um estado de graça assinalável, sendo também verdade que a forma inclusiva como geriu alguns dossiers da cidadania benfiquista retirou pressão à panela da contestação.

É evidente que os resultados da principal equipa de futebol não deveriam ser chamados para a criação de uma convicção de sentido de voto. Mas nos clubes são estas as regras não escritas, é assim que funciona e não se vislumbra que alguma vez deixe de sê-lo.

Da mesma maneira, a dimensão da vitória eleitoral neste universo específico tem pouco significado no futuro imediato.

Dentro de poucos dias saber-se-á a composição da lista de Rui Costa, ou seja, perceber-se-á até que ponto há um corte com o passado. Luís Filipe Vieira, a partir de um determinado momento, entendeu que devia ter os amigos por perto, e os inimigos ainda mais por perto, e foi por isso que tentou domar os principais opositores, fossem eles Jaime Antunes, José Eduardo Moniz, Varandas Fernandes, Fernando Tavares ou Rui Rangel.

Desta política resultou uma paz romana, por um lado geradora de pouca solidariedade, mas por outro nada obstrutiva do exercício totalitário do poder. Talvez Rui Costa precise de uma Direção de natureza diferente, escolhida com critérios diversos daqueles do antecessor, e com outro tio de partilha de poder.

Para já, o modelo divulgado para a integração dos meios de comunicação do Benfica na campanha eleitoral parece agradar a gregos e troianos. Difícil? Nem por isso. Bastou que fosse adotados alguns princípios básicos da democracia.

Dentro das quatro linhas, segue-se o Barcelona pós-Messi, que tem vivido mergulhado em dúvidas e dívidas. Qual o maior risco que corre, depois de amanhã, a equipa de Jorge Jesus? Desvalorizar o adversário, acreditar que se trata de uma equipa acessível, sem perceber que do outro lado estarão jogadores de grande nível, que têm naqueles 90 minutos uma oportunidade de dar um pontapé na crise.

Se o Benfica desconfiar deste Barcelona, ficará mais perto da vitória.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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