Retoma dos campeonatos nacionais da 2ª divisão de futsal, realidade ou ficção?

A reunião da da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) com os clubes nacionais e associações desportivas na passada sexta-feira deu aos clubes implícitos uma mão vazia e outra cheia de nada.

Se, por um lado, ficou a certeza da FPF em querer terminar as competições iniciadas nesta época desportiva, também foi referido que as mesmas podem sofrer alterações nos prazos estipulados, ou seja, dia 5 de abril (reinício dos treinos individualizados com 4 pessoas), ou no dia 19 de abril (reinício dos treinos em conjunto), tendo em conta a evolução ou diminuição da pandemia que infelizmente ainda não desapareceu.

O certo é que essa retoma competitiva pode sofrer novo revés se os números da Covid-19 alterarem/subirem.

Certo é que a Taça de Portugal masculina da época 2020-21 não se vai jogar, vai ser terminada por falta de datas no calendário desportivo da FPF. Mas não vai ser jogada pelos clubes secundários, mesmo aqueles que já tenham assegurado presença na 3ª eliminatória, o que é pior. Porque existe a intenção da mesma ser terminada apenas com os clubes da Liga Placard, o que vai desvirtuar o desenrolar da mesma.

Muito por causa dos jogos em atraso das duas primeiras eliminatórias (7), e também pela intenção em se querer terminar o campeonato da 2ª divisão nacional, nem que para o mesmo tenha de haver alterações ao modelo competitivo.

Certezas que ficaram no ar – término da Taça de Portugal e a intenção de retomar/terminar os campeonatos iniciados da 2ª divisão nacional de forma a ter subidas, descidas, permanências e restruturação para a próxima época desportiva com a volta da 3ª divisão nacional.

Tudo o resto ficou por responder, ou seja, todas as questões levantadas, todas as dúvidas relacionadas com o desenrolar das competições resultaram em mais dúvidas para os clubes.

E agora pergunto eu: num ano atípico para o desporto em geral, mas particularmente para o futsal, principalmente para as equipas dos escalões inferiores, onde fica a ajuda?

Termina-se a Taça de Portugal. Certo, quase unanimidade em relação à competição em si.

Mas porque o futsal continua a ser diferente do futebol?

Porque é que no futebol as eliminatórias da Taça de Portugal são pagas e as receitas muitas das vezes divididas ou dadas aos clubes com mais dificuldades e no futsal a mesma competição só dá despesa aos clubes?

Somos assim tão diferentes do futebol? Não pertencemos à mesma Federação? Então porque de dois pesos/duas medidas?

Outra questão que me assola o pensamento: porque é que o campeonato da 2ª divisão masculina e o da 2ª divisão feminina tiverem de parar?

O que é que nos separa em relação à Liga Placard e Campeonato Nacional da 1ª divisão feminino?

Não fomos em idênticas situações, já nesta mesma época desportiva comparados a profissionais?

Não jogamos, tal como os outros, aos sábados/domingos às 11:00h?

Não prevaricamos já na volta para casa após os jogos, em passar determinados concelhos?

Não jogamos já durante a semana de noite?

Então porque essa diferença a partir de janeiro se até aí fomos considerados como tal?

Ah, já sei. Para não podermos receber os apoios da FPF relacionados com a testagem e com os transportes, tal como o mesmo foi dado apenas às competições seniores “principais” a partir da mesma data que as competições da 2ª divisão nacional e distritais foram obrigados a parar porque aí já servia não sermos comparados como profissionais.

Mas de setembro a janeiro alguém se importou com esses clubes? Como a competição decorria? Se houve muitos casos nas jornadas efetuadas? Se em algumas partidas adiadas a Covid-19 serviu de desculpa? Não, ninguém se importou.

Então, se andamos sempre no limiar da dúvida, da incerteza, porquê apoiar uns e não todos?

Fica no ar mais uma vez a diferença de tratamento e a certeza do que realmente importa.

Cuidem-se.

VIVA O FUTSAL NÃO PROFISSIONAL.

Fernando Parente (Treinador de futsal)

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