Portugal e Espanha oficialmente candidatos a organizar o Europeu de Andebol de 2028

Já se sabia da intenção de Portugal e Espanha apresentarem uma candidatura conjunta à organização do Campeonato da Europa de Andebol Masculino em 2028, mas foi na passada semana que essa intenção se viu concretizada, com a entrega formal da candidatura na Federação Europeia de Andebol (EHF). Com um total de 24 equipas, a candidatura pressupõe a existência de 6 grupos de 4 equipas na primeira fase e dessa forma Lisboa, no Pavilhão Atlântico (Altice Arena) terá 2 grupos nessa primeira fase. Em Espanha, caso a candidatura ibérica vença, jogar-se-á um grupo em Madrid, outro em Málaga, outro em Valência e outro na nossa “vizinha” Ourense. Muito se falou, em Portugal, do facto de existirem 4 cidades espanholas no “menu” e somente a capital Lisboa do lado luso, mas esse dado deve-se tão somente ao facto de ser pré-requisito a existência de um pavilhão com um mínimo de 5 mil lugares para a primeira fase. Esse número aumenta para 8 mil, caso ali jogue a equipa da casa. Depois, na segunda fase esses números crescem para 8 mil lugares e caso lá jogue a equipa da casa, para os 12 mil lugares. Desta forma, em Portugal, nenhum dos pavilhões habitualmente utilizados têm essa lotação, estejamos nós a falar, dos multiusos do Porto (Rosa Mota), Guimarães, Gondomar, Póvoa do Varzim, Santo Tirso, Espinho e Portimão ou mesmo dos pavilhões dos 3 grandes, SL Benfica, FC Porto ou Sporting CP. Poder-se-á dizer que mais uma vez “vais tudo para Lisboa”, mas neste caso, não havia outra alternativa. Era tentar desta forma, ou estar fora! Perante este facto, que este sirva de alavanca, para que o norte reivindique e concretize um pavilhão multiusos com essa capacidade.

A candidatura ibérica, apresenta-se com o seguinte lema “We play under one anthem” (jogamos sob o mesmo hino) porque somos todos nós. Nós somos Portugal. Nós somos Espanha. Somos os países em desenvolvimento em direção à elite… e somos a elite ao mesmo tempo. Nós somos a Europa. E conhecemos o hino perfeitamente. O hino do respeito. O hino da solidariedade. O hino do trabalho de equipa. O hino do andebol. É por isso que “jogamos sob o mesmo hino” será o lema da proposta ibérica para o EHF EURO 2028.

A candidatura ibérica terá 2 concorrentes, o do “consórcio nórdico” composto pela Suécia, Noruega e Dinamarca e o outro é a “solitária” Suíça. Está em cima da mesa, a organização dos europeus masculinos de 2026 e 2028, e os concorrentes da candidatura ibérica, apresentam-se ambos também à organização em 2026, o que poderá constituir uma vantagem para a candidatura ibérica, pois umas destas candidaturas organizará o evento imediatamente anterior.

Olhando para trás, Portugal organizou o primeiro campeonato da europa de andebol masculino da história, em 1994, então somente com 12 equipas e duas sedes, Porto (pavilhão Rosa Mota) e Almada (pavilhão municipal). Outros tempos e outras, menores, exigências. Se organizativamente o Europeu de 1994 foi um sucesso, desportivamente não se pode dizer o mesmo, pois a seleção nacional não conseguiu fugir ao último lugar. No entanto, este desiderato teve o mérito de “despertar” o Andebol Português para outros voos, pois a partir daí ganhou o hábito de participar em fases finais de europeus e mundiais que teve continuidade até ao início dos anos 2000.  Aí, em 2003 organizamos o Campeonato do Mundo, mas daí para cá, as infraestruturas que existiam, são praticamente as mesmas, ou seja, não acompanharam a evolução do tempo e das exigências internacionais. 

Esperando que a nossa candidatura seja bem-sucedida, poderemos afirmar que teremos num raio de menos de 840 km o melhor andebol do mundo. Teremos, pois, um grupo da primeira fase em Ourense (150 km de Vila Real), dois grupos da primeira fase, um da segunda fase e um jogo da fase final, em Lisboa (400 km), um grupo da primeira fase, um da segunda fase e meias finais e final, em Madrid (450 km) e um grupo da primeira fase em Valência (820 km) e um outro grupo também da primeira fase em Málaga (840 km de Vila Real).

Daqui até lá, os ambiciosos objetivos do andebol português tentarão ser alcançados e semana a semana, os degraus vão sendo subidos, seja através do memorando de entendimento com a Federação Portuguesa de Futebol, que visam a cooperação nas áreas da formação, alto rendimento, seleções nacionais e produção de eventos e conteúdos, seja através da atribuição à Federação de Andebol de Portugal e ao selecionador nacional, Paulo Jorge Pereira respetivamente do prémio especial e prémio técnico “Bento Pessoa”, seja através da nomeação de 3 jogadores do FC Porto (Nikola Mitrevsky, Victor Iturriza e André Gomes) para a equipa do ano da Liga dos Campeões.

Adriano Tavares (Presidente Associação de Andebol de Vila Real)

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