Pedras Rubras – Vila Real, 0-1: golo de Azevedo permitiu a festa da permanência aos transmontanos

Terminou em lágrimas a partida da última jornada entre Pedras Rubras e Vila Real. Para os da casa foi um choro de tristeza pois com esta derrota descem aos distritais. Já para os transmontanos foram lágrimas de alegria com o alcançar do objetivo mesmo na reta final da temporada. O herói do jogo foi André Azevedo que, com um cabeceamento aos 72 minutos, deu a vitória e a manutenção aos alvinegros. 

Só os três pontos interessavam ao Vila Real, para o Pedras Rubras o empate poderia servir caso o Coimbrões não conseguisse derrotar o Salgueiros. Estava tudo em jogo e talvez por isso o nervosismo se tenha notado na primeira parte do encontro. Mais do que procurar o golo, as equipas preocuparam-se em não se expor defensivamente. Foram, assim, 45 minutos não muito bem jogados e sem oportunidades de golo flagrantes. 

O Salgueiros ia vencendo o Coimbrões por  e, com esse resultado, era apenas o Vila Real que precisava de dar corda às chuteiras e mudar o rumo dos acontecimentos. Os comandados de Nuno Barbosa apareceram mais fortes no segundo tempo e a assumir, declaradamente, a iniciativa. Aos 53 minutos, a primeira grande ocasião de golo. Azevedo ganhou de cabeça, Ivanildo ficou cara-a-cara com Pedro mas permitiu a defesa do guarda-redes. Poucos minutos depois, Eirô, que estava a ser dos melhores em campo, ressentiu-se de uma pancada na cabeça que havia sofrido ainda na primeira metade do encontro e teve que ser substituído por Fontes, jovem de 19 anos. 

O Vila Real continuou a ter mais bola mas sem ser muito ameaçador. O Pedras Rubras ia levando a água ao seu moinho, quebrando o ritmo com muitas paragens e demoras na reposição de bola em jogo. Até que aos 72 minutos surge o lance da partida. Óscar foge à marcação, corre uns metros pela ala direita e cruza tenso para a grande área onde surge Azevedo que, de cabeça, desvia para o fundo das redes. Grande mérito para o excelente cruzamento de Óscar e para Azevedo que foi fantástico a atacar e ganhar a bola ao seu opositor, cabeceando sem hipóteses de defesa. Muita festa e muita confusão, no meio dos festejos saiu um amarelo para o suplente Zé Mota, por entrar dentro de campo, e um vermelho dirigido a alguém no banco do Pedras Rubras. 

As contas mudavam, e era agora a equipa da casa a precisar de marcar para sobreviver nesta divisão. O Pedras Rubras empurrou os transmontanos para junto da sua baliza e tentou chegar ao golo, mais com o coração do que com a cabeça. Abusou do jogo direto, facilitando, desse modo, a vida aos defesas forasteiros. Mário Seara, treinador dos visitados, meteu mais homens na frente mas sem efeitos práticos. Foi, até, o conjunto alvinegro quem esteve perto de marcar. Ivanildo ganhou em velocidade ao seu opositor, isolou-se mas perdeu novamente no duelo perante Pedro que efetuou uma excelente defesa para canto. O mesmo Ivanildo desperdiçou, ainda, uma jogada de três para dois, perdendo-se assim mais uma oportunidade de matar a partida. Já o relógio batia nos 96 quando o árbitro Hélder Carvalho  deu o último apito da partida. Terminou o sofrimento e rebentou a emoção dos transmontanos no relvado, nas bancadas e até no exterior do estádio, com vários adeptos que fizeram questão de acompanhar a sua equipa.  Para os da casa o sentimento era de desilusão. A equipa portuense chegou a estar confortável na tabela mas as últimas cinco derrotas seguidas atiraram o conjunto azul e branco para a distrital.

Nuno Barbosa: “grupo acreditou na mensagem e na sua capacidade”

Após o final do encontro, o treinador do Vila Real mostrou-se satisfeito e explicou ao Desportivo Transmontano que os seus pupilos até  “entraram tranquilos , mas sentiram algum desconforto com o terreno de jogo (relva sintética), pois era muito duro e fazia a bola saltar muito ficando assim difícil produzir um futebol apoiado. Com isto os jogadores optaram por fazer um jogo mais longo e de menor risco“. “Ao intervalo acertámos alguns pormenores, como colocar os nossos dois médios mais perto dos defesas centrais na 1 º fase construção e a partir daí começamos a ter um jogo mais ligado e apoiado , conseguindo chegar com mais gente e com mais qualidade à baliza do Pedras Rubras“, contou.

Nuno Barbosa revelou ainda que sentiu”uma sensação de dever cumprido e, prinicipalmente,  uma felicidade por ter um grupo que acreditou na mensagem e na sua capacidade“. Quanto ao futuro, o técnico não abriu muito o jogo:”o meu objetivo é continuar a trabalhar, não faço planos nem a curto nem a longo prazo. Tudo acontecerá a seu tempo“.

André Azevedo, autor do golo, era também ele um homem feliz e considerou que este foi um momento justo e merecido para toda a equipa “por tudo o que se passou durante a época“. Em clima de festa, o camisola 18 aproveitou para deixar uma dedicatória: “Dedico o golo à minha namorada, que é a pessoa que mais me apoia , a todos os que estão perto de mim, à minha equipa e à minha família“.

Por Hugo Pires

Jogo no Estádio Municipal de Pedras Rubras.

Árbitro: Hélder Carvalho (AF Santarém)

Pedras Rubras: Pedro Cavadas; Jude Burst; Gonçalo; Luís Ferreira (Geoave, 75); William; Portilho; Litos (Pimenta, 65); AboubaKar; César; Usafila (Bernardo, 57) e Postiga.

Treinador: Mário Seara

Vila Real: Nené; Óscar; Pedro Eira; Carlos Mendes; Gustavo; Bruno (Abel Pereira, 90+2); Eirô (André Fontes, 58); Zé Pedro; Sergiy; André Azevedo (Soares, 82) e Ivanildo.

Treinador: Nuno Barbosa

Ao intervalo: 0-0

Golos: 0-1, André Azevedo (72).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para William (41); Litos (62); Carlos Mendes (70); Zé Mota (74); Aboubakar (79); Óscar (80) e Nené (90+2).

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