Paredes – Vila Real, 1-0: Quando o resultado é cruel

A lei do golo é a lei máxima no futebol: no final vence quem marca mais. Só deste modo se consegue explicar a derrota, por 1-0, do Vila Real em Paredes. A equipa transmontana atacou mais, atacou melhor mas finalizou pior.  Ismael colocou, cedo, os locais em vantagem e depois deu-se um festival de golos falhados por parte dos transmontanos, com Ivanildo a ser o cabeça de cartaz.

Era um jogo muito importante para ambas as equipas na luta pela manutenção. O Paredes partia com um ponto de desvantagem na tabela classificativa e, talvez por isso, entrou com um ligeiro ascendente e a tentar assumir as despesas de jogo. À passagem do minuto dez surge a primeira chance para balançar as redes. Canto batido a meia altura com a bola a passar por toda a gente e a chegar a Marcão que, ao segundo poste, desviou por cima do travessão. A jogada assustou as hostes transmontanas e, ainda não refeita do susto, na jogada seguinte a defesa alvinegra perde a bola em zona defensiva, o esférico é rapidamente endossado para Ismael que, já dentro da área, remata  sem qualquer  hipótese para Rui Capela.

A partir deste momento, o Vila Real soltou-se e passou a assumir o domínio da partida. Com o seu esquema habitual de três defesas,  a equipa de Nuno Barbosa mostrou quase sempre uma rápida reação à perda de bola e apostava em rápidas mudanças de flanco conseguidas graças a uma boa precisão de passe, com destaque para o médio Serhii. Foi com muita frequência que Bruno, na esquerda, e Óscar, na direita, ganharam os corredores laterais e ameaçaram a baliza de Marco. Bruno foi, até, o primeiro a ter nos pés a possibilidade de igualar a partida. Na pequena área, e depois de bem servido por  Ivo Lucas, o lateral falhou a pontaria e rematou à malha lateral. Quatro minutos depois (23), Óscar cruzou para Ivanildo, este cabeceou bem mas a bola passou ao lado. Começava aqui a série de golos falhados do ponta de lança da Guiné-Bissau. A seguinte teve lugar já no início da segunda parte mas nesta o avançado fez o que lhe competia. Cabeceamento ao ângulo e defesa milagrosa de Marco. Aos 67 mais uma cabeçada com a bola a rasar o poste. O número nove, definitivamente, não estava com cabeça para golo e tentou com o seu pé direito (84) mas o desfecho final foi semelhante. Depois de um pontapé de canto, o guarda-redes Marco saiu em falso, a bola andou pela pequena área, sobrou para Ivanildo que, a poucos metros  da baliza, rematou por cima.

O fim do jogo aproximava-se mas a turma transmontava nunca perdeu o seu fio de jogo, abdicando  do “chuveirinho” para a área, bem habitual quando reina o desespero. A equipa expunha-se cada vez mais mas o Paredes nunca teve a clarividência para explorar melhor o contra-ataque. Já em período de compensação (94), mais uma jogada de grande perigo, esta protagonizada por homens saídos do banco, Zé Mota conseguiu fintar o seu adversário e serviu Eirô que obrigou Marco a mais uma bela intervenção, o esférico seguiu para Paixão que acertou nas orelhas da bola. Pouco depois o apito final e uma derrota que face ao que se passou em campo é bastante cruel para o conjunto de Vila Real.

No final do encontro, em declarações ao Desportivo Transmontano, Nuno Barbosa lamentou a falta de eficácia dos seus jogadores, lembrando que “a equipa produziu muitas oportunidades e não marcou”. O técnico prometeu “continuar a trabalhar para ser melhor”. “Temos de olhar para  o próximo jogo, porque em relação a este já não podemos fazer nada a não ser analisar e trabalhar o que não foi positivo”, finalizou.

E o próximo jogo é, em casa, frente ao Leça, que está na luta pelo primeiro lugar. Com esta derrota, o Vila Real cai para a zona de descida. É nono na tabela, está a dois pontos de Pedras Rubras e Paredes, e a um do Salgueiros.

Por Hugo Pires

Jogo no Campo Principal da Cidade Desportiva de Paredes

Paredes: Marco Ribeiro; Meneses; Amadeu; Bouba; Marcão (João Rafael, 66); Ema; Tavares; Ismael; Madureira (Henrique, 90+4); Pedro Correia (Caleb, 82) e Nuno Martins.

Treinador: Eurico Couto

Vila Real: Rui Capela; Óscar Barros (Eirô, 77); Pedro Eira; Carlos Mendes; Gustavo; Bruno (Diogo Paixão, 85); Zé Pedro; Sergiy; André Azevedo (André Fontes, 90+1); Ivanildo e Ivo Lucas (Zé Pedro Mota, 77).

Treinador: Nuno Barbosa.

Árbitro: Duarte Oliveira (AF Braga).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Pedro Correia (26); Marcão (33) e Pedro Eira (81).

Ao intervalo: 1-0.

Golos: 1-0, Ismael (10).

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