OS MILHÕES DA CHAMPIONS

Jorge Jesus, depois de ter mexido em seis titulares na equipa que defrontou o Moreirense, introduziu sete alterações na partida com o Arouca. Em qualquer dos casos saiu-se bem e poupou mental e fisicamente os jogadores que considera mais importantes para encarar o desafio de aceder à fase de grupos da Champions.

Porém deve ficar bem claro que esta rotatividade extrema só é aceitável à luz da excecionalidade vigente, não concorrendo, a médio prazo para a criação de rotina e solidificação de processo que devem, subjazer a qualquer boa equipa de futebol.

O PSV, que joga a Luz, irá colocar ao Benfica problemas que os encarnados ainda não tiveram de resolver na corrente temporada. É bom lembrar que nos quatro jogos oficias já realizados, os da Luz defrontaram sempre equipas de pronunciada matriz defensiva, enquanto que deve ser esperada outra ousadia atacante do PSV, em linha com a escola neerlandesa.

Para ultrapassar a equipa de Eindhoven, que está a realizar um início de temporada imaculado – seis jogos, outras tantas vitórias, 17 golos marcados e dois sofridos (onde se inclui uma goleada por 4-0 ao Ajax na final da Supertaça) -, a turma encarada vai precisar de nunca de desunir na organização, especialmente quando perder a bola, e deverá melhorar significativamente no aproveitamento das oportunidades de golo.

Só depois de 24 de agosto, definida a questão europeia, a Benfica retomará plenamente a normalidade, com as eleições antecipadas a entrarem, crescentemente, na agenda dos sócios.

Há muitos anos, quando os miúdos começavam a joga futebol a sério, depois de fazerem a formação nas peladas de ´rua´, uma das primeiras recomendações que lhes eram feitas pelos treinadores dizia o seguinte: “O jogo só para quando o árbitro apitar.” Isto era sobretudo válido para os avançados, que tinham a tendência para hesitar se achavam que estavam em fora de jogo, mas também, para os restantes jogadores (havia a grande penalidade clássica quando o defesa pesava que o jogo tinha sido interrompido e agarrava a bola com a mão dentro da grande área…), guarda-redes incluídos.

A ideia era criar nos jogadores um automatismo, de raiz pavloviana, que os acompanhasse ao longo da carreira. Percebe-se porquê…

Orlando Fernandes (Jornalista)

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