Os domingos de bola

O futebol é do povo, é uma paixão do povo, vivido pelo povo, praticado por pessoas do povo e alimentado pelo povo nas várias vertentes. O futebol distrital contempla no seu esplendor máximo esta tese, onde estão presentes os “jogadores-adeptos”, os “treinadores-adeptos”, onde o amor à camisola, ao clube que nos viu nascer, ao clube pela qual todos os adeptos conhecem a história de cada homem que veste a camisola a cada domingo, sem ter de lhes ensinar os valores daquele símbolo porque eles viveram aquilo do outro lado da barricada.

Domingo sem futebol não é domingo. As rotinas desaparecem, de jogadores, treinadores, dirigentes e adeptos. Mas principalmente dos adeptos. Os adeptos estão habituados a almoçar, vir mais cedo para o estádio, pagar as cotas, sentar-se no seu lugar a discutir as opções dos técnicos, a vibrarem com o jogo, a confraternizarem no intervalo e a libertarem todas as suas emoções, num espetáculo criado pelos clubes, mas onde estes se sentem parte dele pela sua envolvência, assim como pelo facto de serem os adeptos os principais patrocinadores dos clubes.

Não existe nenhum clube igual ao da nossa terra. É nosso, tão simples quanto isso, quando assim é ninguém nos pode tirar o que é nosso, temos de defender o que é nosso, ou seja, muitas populações cobram isso a cada semana, querem ter uma alegria que rompa com as rotinas, querem-se entreter com um espetáculo que é deles.

Venham de lá esses domingos de bola, não há nada mais puro que o futebol distrital, que o apoio genuíno de quem o ama e de quem ama quem nesse habita. Honremos o futebol!

Diogo Castela (Treinador de futebol)

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