Opinião: Sporting em gestão por duodécimos

Por números claros. Foram 3118 os associados do Sporting que, em Assembleia Geral que decorreu no Estádio José Alvalade, com contornos inéditos devido à pandemia de Covid-19 – sem direito a discussão dos pontos em votação -, chumbaram tanto o relatório e contas relativo à última temporada como o orçamento apresentado para a época atual, numa reunião magna que acabou ainda com quatro sócios identificados – um deles, agredido, identificou outros três, com ligações à Juventude Leonina, embora existam versões contraditórias sobre os acontecimentos que levaram às agressões que, efetivamente, existiram no Hall VIP de Alvalade.

Pouco depois das 22 horas, feita a contagem, dos resultados, Rogério Alves, presidente da Mesa da Assembleia Geral, anunciou os resultados no auditório Artur Agostinho: o orçamento do clube para 2020/2021 foi chumbado com 69,19% dos votos contra e apenas 30,81% a favor, enquanto o relatório e contas de 2019/2020 mereceu nota negativa de 67,22% dos associados, contra os 32,78 que votaram a favor.

“Não compete à Mesa fazer extrapolação, análise o projeção política. Nunca o fizemos. O sócio do Sporting é quem mais ordena, nas proporções que livremente escolhe. Agora compete ao Conselho Diretivo analisar esses resultados. A reprovação não tem consequências previstas na lei e nos estatutos. Vamos ficar a aguardar os devidos acontecimentos”, explicou Rogério Alves, minutos antes da Direção, em comunicado, ter anunciado que irá submeter os dois documentos a nova Assembleia Geral, referindo que “a aprovação dos documentos é importante na gestão orçamental diária e na relação com terceiros, nomeadamente com as entidades financiadoras e com o Estado”.

Confirmando que o relatório e contas “não sofrerá naturalmente, qualquer alteração”, a Direção anunciou que pondera “introduzir alterações no orçamento ajustando-o à realidade entretanto já conhecida desde o início do exercício” e não deixou de manifestar “a sua gratidão aos 3115 sócios do clube que, num contexto pandémico”, foram votar.

Se o chumbo do relatório e contas não tem efeitos práticos em si, já o orçamento para a próxima época, sendo rejeitado pelos sócios, obriga a que a gestão da Direção seja feita, já a partir de outubro, em duodécimos – ou seja, com orçamento e custos mensalmente apresentados e explicados. Esse cenário manter-se-á até que, em Assembleia Geral, seja aprovado o documento durante esta época desportiva.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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