Opinião: por obra e desgraça

Esta época, Portugal apura seis equipas para as competições europeias os primeiros três para a Liga dos Campeões (o terceiro pré-qualificações), o vencedor da Taça de Portugal para a Liga Europa, e os quarto e quinto classificados para a Liga Conferência (Liga Europa 2).

Uma benesse que resulta da conquista da sexta posição do ranking da UEFA à Rússia. Mas eis que, quase sem contar com isso, as equipas portuguesas encostam-se perigosamente ao quinto posto ocupado pela França.

Esta sensação de inesperado – para mim – não tem a ver com a competência lusa, mas com o suave desastre gaulês, que entrou com seis equipas e ainda tem cinco em prova, ao passo que Portugal entrou com cinco e só já tem três.

Tudo isto acontece, portanto, graças às boas pontuações de FC Porto, Benfica e Braga, mas também por obra e desgraça dos conjuntos franceses, à exceção do Paris Saint-Germain. De resto, Marselha e Rennes quase não pontuam na Champions, enquanto na Liga Europa o Lille segue seguro para a fase a eliminar ao contrário do Nice, já sem hipótese de continuar em prova.

Levanta-se, então a questão: como encarar este cenário, este possível quinto posto, que devia unir esforços à escala nacional? Entre efeitos colaterais (sobretudo económicos) da pandemia e o regateio de migalhas ao colo do regabofe de negociatas que vitimam emblemas com história (casos do Vitória de Setúbal e Desportivo das Aves), conseguirá o futebol luso alvejar com ambição e ciência as portas que o mérito desportivo escancarou?

O quinto posto não se ganha de um ano para o outro, mas conquista-se com consistência e pontos. O facto de podermos ter três equipas na Champions de 2021/22 pode ajudar a amealhar.
Importa é que os franceses não acordem e não queriam resolver aquele cancro competitivo que os faz definhar: a hegemonia do Parus Saint-Germain…

Orlando Fernandes (Jornalista)

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