Opinião: o regresso do campeonato

Nas últimas semanas, o número de infetados em Portugal tem vindo a crescer consideravelmente e o efeito já teve consequências no mundo do futebol com covid-19 a atacar em força. O Feirense-Chaves e o Ac. Viseu-Académica, da LigaPro, não se disputaram e o Sporting-Gil Vicente vai ter de ser adiado, o que constitui uma séria dificuldade para a Liga Portugal, obrigada a encontrar a abertura num calendário já de si muito denso, disputado num espaço de tempo muito curto e ainda condicionado pelas competições europeias.

Mas esse talvez seja um mal menor. O outro é mais complexo. Quando a Direção-Geral de Saíde definiu os imperativos sanitários sobre a prática desportiva estabeleceu que um elemento infetado tem ser isolado, sem que seja obrigatório proceder ao isolamento coletivo das equipas.

Se calhar, todo este plano tem de ser revisto, tornando-se necessário a criação de uma espécie de norma geral mais abrangente e uniforme. Já se percebeu que as autoridades de saúde locais travaram a realização de alguns jogos por considerarem que poderia estar em causa a saúde pública.

É um critério válido e feito de forma consciente e responsável. Mas é um critério que terá de prevalecer até ao final da época quando o Mundo continuar a ser assobrado pela civid-19. Se isso não acontecer, os responsáveis pela saúde poderão estar a utilizar dois pesos e duas medidas e até a condicionar aquilo que poderá ser a verdade desportiva do campeonato.

Ou seja, uma equipa não joga porque tem um determinado número de casos, a outra joga apesar de ter o mesmo número de infetados, só porque está numa outra região e a interpretação das autoridades de saúde locais são diferentes.

Se o caminho for esse, vão crescer polémicas como cogumelos no futebol português e as guerrilhas vão prevalecer numa indústria que precisa de tranquilidade paz e união. Agora mais do que nunca.

Orlando Fernandes (Jornalista)

Menu