Opinião: o próximo campeonato

Os jogos do Campeonato de Futebol são eventos de massas, e nesta fase da pandemia não deviam, ter público a assistir. Por um lado, é um momento aguardado impacientemente pelos adeptos e a sua ausência põe em risco muitos postos de trabalho; por outro lado, temos o risco do agravamento da situação epidemiológica do país.

Em Portugal temos vários estádios com lotação superior a 10 mil lugares e clubes de futebol em diversas cidades do país. Mesmo com redução da lotação, permitindo o distanciamento físico entre os lugares, é difícil assegurar entradas, saídas e circulação nos espaços em segurança.

São eventos realizados por todo o país, com mobilização de pessoas entre várias cidades, aumentando a possibilidade de dispersão do vírus por várias regiões, e que muitas vezes sobrecarregam as infraestruturas locais com um grande número de pessoas concentras geograficamente nomeadamente nos alojamentos e transportes públicos.

Embora sejam realizadas ao ar livre, estão muitas vezes associados a comportamentos de risco, que põem em causa as condições de saúde e segurança, e são também momentos de euforia que levam, a maior produção de gotículas respiratórias e propiciam, o contacto físico entre pessoas. Estes são, aliá, alguns dos fatores apontados como explicação para o aumento exponencial de casos em Bérgamo, cidade italiana fortemente afetada pela pandemia no início do ano após um jogo da Liga dos Campeões da UEFA.

Numa fase de grandes adaptações da sociedade às novas rotinas impostas pela pandemia de covid-19, e ainda sem uma vacina ou tratamento dirigido, o nosso objetivo é diminuir a dispersão do vírus no país através da implementação de medidas que permitam mitigar o risco de novas infeções.

Noutro tipo de eventos são utilizadas algumas medidas, como identificação de cada lugar, para rastreio de contactos, compra exclusiva de bilhetes online, utilização de máscara e disponibilização de meios adequados para a higienização das mãos em vários pontos.

Contudo, enquanto houver surtos ativos em Portugal, nestes jogos essas medidas podem não ser suficientes para evitar colocar em risco a saúde pública.


No próximo mês teremos o início de um novo ano escolar, para muito o reencontro de amigos e as primeiras saídas de casa regulares em meio ano; teremos a chegada do outono, com as habituais afeções respiratórias e as idas mais frequentes aos serviços de urgência, e teremos também os primeiros jogos do campeonato, o desertar de todas as emoções e paixões pelo futebol.

Vivamos por agora este início através dos ecrãs e aguardemos pacientemente o reencontro para quando for mais seguro para todos uma vivência e pleno desta partilha de emoções.

Orlando Fernandes (Jornalista)

Menu