Opinião: o peso do treinador

Portugal é um dos países onde a figura do treinador mais é valorizada. Se em campeonatos de topo como o inglês, alemão ou espanhol se olha quase exclusivamente para a qualidade dos jogadores e aquilo que estes são capazes de fazer em campo, cá a figura de proa é quase sempre o treinador.

Na vitória e na derrota, o que leva ao elevado número de despedimentos época após época. Na verdade, se há muitas coisas que devem mudar no futebol português, essa não e uma delas.

O papel do treinador é determinante no desempenho de uma equipa. Trata-se da peça essencial para definir o modelo de jogo e quem, o interpreta da melhor forma, encontrando o equilíbrio certo para que cada jogador possa render ao seu melhor nível.

Nesse sentido, esta jornada traz de novo esse tema à mesa. Começando por Alvalade, onde assistimos a um excelente espetáculo com duas equipas bem trabalhadas e com princípios bem definidos, as opções de Rúben Amorim a partir do banco foram determinantes para o sucesso, na medida que Sporar e Matheus Nunes vieram ajudar um Sporting em dificuldades e sentenciar o resultado.

Por outro lado, o SC Braga está agora a oito pontos da liderança, mas nem por isso tem razões para deitar a toalha ao chão. A equipa minhota apresenta um futebol muito agradável, com caudal e, não fosse a excelente exibição de Adán, teria levado pontos para casa. No fundo, os

Guerreiros do Minho são um trabalho de autor de Carlos Carvalhal, que já havia construído um Rio Ave muito competente e capaz de competir pelos primeiros lugares, ao ponto de se ter conseguido apurar para as competições europeias.

De resto, a saída do técnico de Vila do Conde provocou uma quebra brutal na produção da equipa, que continua a acumular erros, maus resultados e, pior do que isso, permanece muito longe do nível exibicional apresentado na temporada transata. É certo que Taremi deixou um vazio na frente, mas há matéria-prima para fazer bem melhor.

Noutro âmbito, Pepa tem sido um dos homens em destaque neste campeonato, sendo o Paços de Ferreira uma das equipas mais interessantes de seguir, enquanto Milton Mendes deu outro rosto ao Marítimo e Pako Ayestarán vai disfarçando as lacunas do Tondela.

No fundo, bons exemplos do papel dos treinadores em Portugal não faltam e quem escolhe mal arrisca-se a uma temporada de sobressaltos e a depender da inspiração dos atletas.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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