Opinião: Lei de Darwin

Diz a teoria de Charles Darwin que cada espécie evolui através de um processo de seleção natural relacionada com, a adaptação ao ambiente em que se insere.

Neste sentido, somente as espécies perfeitamente adaptadas às pressões do ambiente que as rodeia são capazes de sobreviver e de se reproduzir, garantindo a continuidade das mesmas.

Foi uma ideia revolucionária e que veio colocar em causa os dogmas da Igreja Católica, para quem tudo estava pré-determinado. Séculos depois, a doutrina darwnista continua a fazer sentido, sobretudo se a catapultarmos para um relvado, onde uma perfeita adequação ao contexto permite a extração de todo o potencial de um jogador.

Assim, o homónimo Darwin Núñez, um uruguaio chegado recentemente a terras lusas parece pronto para explodir. Com a chancela de reforços mais caro de sempre da história do Benfica o 9 das águias carrega desde logo uma pressão extra nos ombros e que se agudizava à medida que os jogos avançavam e os golos não surgiam.

É certo que um ponta de lança moderno não existe apenas para marcar (e o ex-Almeria até vinha estando ligando aos triunfos com várias assistências), mas o golo é muitas vezes aquilo que distingue o bom avançado do excelente.

Nesse sentido, o hat trick de Darwin na Polónia poderá ser o mote para uma carreira auspiciosa na Luz e a tónica ideal para exorcizar as dúvidas dos céticos. Perante um Lech Poznan agressivo e que vendeu cara a derrota, o uruguaio fez três golos à matador, todos eles com cariz distintos, e foi determinante no triunfo.

O seu porte atlético impressiona quem o vê pela primeira vez e essa reação sai reforçada quando vislumbramos a sua capacidade para atacar a profundidade (possui uma velocidade rara num jogador com a sua envergadura) e a sua qualidade no jogo aéreo.

Por outro lado, mostrou igualmente astúcia em espaços curtos (grande drible no 2.º golo). Jorge Jesus já lhe aponta a saída e uma escalada até ao topo, sendo que, caso consiga aliar uma melhoria a nível técnico à capacidade física que já evidencia, poderemos estar perante um caso sério.

É certo que ainda é cedo para embandeirar em arco e que terá de fazer mais para justificar o investimento, mas se pensarmos no perfil em causa, verificarmos que Darwin é o tipo de avançado que, por norma, faz mossa em Portugal e que muitos clubes procuram lá fora. O sucesso está mas suas mãos.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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