Opinião: Futsal de Formação, e Agora?

A capacidade de acreditar que se é capaz

“Uma pessoa que dúvida de si própria é como o homem que se alista no exército inimigo e aponta as armas contra si próprio. Ele transforma o seu fracasso numa certeza, ao ser ele próprio a primeira pessoa a convencer-se desse fracasso.”

Alexandre Dumas

Começo este meu artigo de opinião com a frase de Alexandre Dumas, visto a mesma se adaptar às circunstancias que neste momento estamos a passar.

Sendo certo que a saúde e a vida das pessoas irá estar sempre em primeiro lugar, também temos a noção e a esperança que mais cedo ou mais tarde as coisas vão retomar o seu rumo, mesmo que as pessoas tenham a noção de saber que nada será igual daqui para a frente, principalmente no plano desportivo.

A frase do meu artigo: “Futsal de formação, e agora?”, prende-se obviamente com a situação que vivemos, mas também com tudo o que gira em torno da nossa modalidade. Algumas decisões já foram tomadas (campeonatos formação), outras a ser discutidas (campeonatos seniores distritais e nacionais).

Se em relação ao término das competições de formação, existiu quase unanimidade em relação à mesma, o certo é: o que vai ser feito dos muitos treinadores, que logo após a divulgação dessa informação, viram o seu contrato terminado e outros mesmo a ter como recompensa a saída do projeto em que estavam envolvidos? Não foi 1, não foram 2, foram vários. E, muitos deles, com bastantes anos de casa.

O fato de haver campeão, o não haver, o não subir, o não descer, irá acarretar algumas complicações em muitos dos clubes nacionais e distritais nessa vertente. Não são só os clubes a perder, em excesso, mas também e sim, os seus agentes principais, treinadores e jogadores. E é aqui, nesta fase, que não podemos diferenciar nada nem ninguém.

O mais concreto é que algumas situações foram analisadas e decididas para ajudar os clubes (linha de crédito de 5000€), mas será que é mesmo para ajudar? A verba despendida, e não para todos, como se pode comprovar, pois só quem preenchia os requisitos poderia formalizar a sua candidatura à mesma, irá ajudar em quê? Suportar as necessidades dos clubes injetarem dinheiro para financiar algumas despesas mais prementes. Mas, e depois? O dinheiro não terá de ser devolvido?

Sim, claro que tem e vai ser. Embora sem juros e com um ano de vigência (prazo de pagamento até 31 de março de 2021), digam-me?

E os valores despendidos pelos clubes nesta mesma época? Inscrição de clube (várias equipas), inscrição jogadores, arbitragem, pavilhão, segurança, alojamento, alimentação, transportes…, e por aí fora? Onde é que os clubes, que vão ver as suas equipas a nada ganhar, a nada por lutar, irão recuperar esse dinheiro investido?

Então, pergunto eu? Para quê essa linha de crédito? Para endividar aqueles que já são pequenos, a mais pequenos ficar?

Outra solução é os clubes pagarem as suas multas, processos e outros emolumentos apenas a partir da época 2020-21. Não seria mais correto, em vez de aumentar a despesa dos clubes para a próxima época, acabar com as mesmas? Embora em formação, as multas não sejam tantas e tão altas como nos campeonatos de seniores, será sempre mais uma despesa extra a juntar à linha de crédito, a juntar às despesas de novo ano de competição.

Por muito que queiramos, por muito que nos passe pela cabeça em ficar bem no meio desta história, se realmente queremos ajudar, ajudem, mas com algo de concreto e que possa realmente ajudar os clubes a manter-se para que possamos todos voltar mais fortes.

A maior ajuda, sem dúvida, foi dada: terminar as competições porque a saúde e a vida estarão sempre em primeiro lugar.

Mas penso que deviam existir outras soluções para terminar a competição 2019-2020, do que apenas pensar e olhar para o próprio umbigo. Não é a olhar para nós próprios, que temos bastantes receitas, que vamos ajudar os outros. Não é com decisões ridículas que irão manter o mesmo nº de clube/jogadores/treinadores para as épocas seguintes.

Pensem nos clubes, nos agentes e não nos vossos cofres.

Porque sem clubes, sem agentes, vocês também não serão nada.

Por último, termino este meu artigo com uma saudação e com um pedido de vitória, neste caso individual, mas que espero que este pedido se torne coletivo.

Parabéns ao Selecionador Jorge Braz pelo título alcançado como melhor selecionador do mundo.

Um repto de vitória individual desta vez ao Mister Alípio Matos, pelo momento menos bom que está a passar em torno desta pandemia, mas que o mesmo se torne coletivo, tal como é gíria da nossa modalidade.

Um bem haja a todos e, FIQUEM EM CASA.

Fernando Parente (Treinador de Futsal)

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Opinião: Desporto e Paz

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