Opinião: faltou Éder

Quis o destino que Portugal voltasse a competir com a França com o estatuto de campeão europeu. Em face do adiamento do Euro 2020 e, após um primeiro round em Paris, a seleção portuguesa recebeu a campeã mundial na Luz num duelo decisivo para a passagem à final da Liga das Nações.

É certo que esta prova não tem o prestígio de um Europeu ou Mundial, mas medir forças contra as Bleus é sempre aliciante. Todos nos recordamos da histórica final de 2016. Éder marcou o golo mais emblemático da história do futebol português, cumprindo um sonho há muito desejado por um país de futebol, mas desta vez o avançado não poderia dar o seu contributo.

E que falta fez o seu momento de inspiração. Portugal perdeu pelo mesmo resultado que havia imposto aos franceses nesse dia glorioso (0-1) e está fora da fase final da Liga das Nações.

Não se pode dizer que seja surpreendente, uma vez que a França será, provavelmente, a melhor seleção do mundo nesta altura, mas ficou um amargo de boca pela inércia da formação das Quinas durante grande parte do encontro.

Foram 70 minutos de domínio francês, que apenas não teve uma tradução maior no resultado devido à ineficácia de Martial e à grande capacidade de Rui Patrício fechar os caminhos para a sua baliza.
Ironicamente, o guardião ficaria depois ligado ao golo sofrido com uma má abordagem, permitindo a Kanté colocar a França na decisão do troféu.

Apesar da derrota, é certo que Portugal possui hoje armas globalmente superiores às que tinha em 2016 e, também, por aí surpreende a entrada no jogo. Sentiu-se um respeito em, excesso pelo adversário e poucas ou nenhuma audácia nas quatro linhas.

Cedo se percebeu que o 0-0 agradava e, quando assim é, a derrota aproxima-se de forma muito galopante. A reação acabaria por chegar muito mais em esforço do que em qualidade e organização, mas Lloris desta vez não facilitou.

A baliza gaulesa ficou trancada a sete chaves e, quando não foi o guarda-redes a intervir foi o poste a negar a possibilidade de um empate que continuaria a dar vantagem aos visitantes, e face do golo marcado fora de casa.

Segue-se um período de reflexão para Fernando Santos e toda a equipa sabendo-se que, salvo novos imprevistos, haverá reedição deste duelo em junho. Também Alemanha e Hungria estarão no caminho da defesa do título, o que obrigará a uma superação de toda a equipa.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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