Opinião: F.C. Porto e o vício

O FC Porto conseguiu o apuramento para a fase seguinte da Liga dos Campeões, ou seja Sérgio Conceição cumpriu um dos objetivos que é obrigatoriamente traçado no início de cada época, de há muitos anos, e não por é acaso que só Barcelona e Real Madrid conseguem ombrear com a equipas portuguesas no número de presenças na Champions.

Um facto que raramente é valorizado, mas que tem de ser realçado. O FC Porto é, ao longo destes anos, a equipa que mais pontos consegue para Portugal no ranking da UEFA. E desta feita conseguiu. Mais uma vez apesar de estar sujeito ao fair play financeiro que lhe coarta as possibilidades de ir ao mercado em condições de resgatar um bom jogador.

É com a “prata da casa” que Sérgio Conceição tem conseguido estes sucessos e que torna, neste momento, no treinador que conseguiu mais dinheiro para os cofres do clube, logo secundado por Jesualdo Ferreira, que era até esta semana o detentor desse título. Não teve um caminho fácil porque estava inserido num grupo que poderemos considerar equilibrado, se tirarmos desta equação o Manchester City; tanto Olympiacos como Marselha tinham condições para se baterem pelo apuramento para os oitavos, mas não conseguiram porque o FC Porto foi mais forte, a dominar, como aconteceu algumas vezes, a fazer um apelo ao sentido operário dos seus jogadores, como aconteceu neste último jogo com o Manchester City.

Sérgio traçou um bom plano defensivo, admitindo o poderio – financeiro e de valores individuais do adversário. Capacidade de concentração e sofrimento, um bom plano defensivo, alguma sorte, e um guarda-redes inspirado como foi Marchesin, sobraram para o empate a zero e o consequente apuramento. Guardiola não gostou, estou como diz Sérgio Conceição. Eu, no lugar dele, à frente de uma equipa milionária, também não tinha gostado…

O Braga e o Benfica conseguiram, igualmente, o apuramento para a fase a eliminar, mas da Liga Europa. Uma semana em cheio para o futebol português, a subir no ranking e no prestígio internacional. O Braga, e comecemos por ai, teve uma deslocação ao terreno do AEK. Sem público aquele estádio torna-se inofensivo e, sinceramente, até parecia que era o Braga quem estava a jogar em casa.

Com um Galeno em grande, a mostrar um valor que se calhar nem, sempre lhe foi reconhecido, a equipa de Carvalhal entrou para matar e cedo deixou o adversário de rastos. O que o Braga fez já não espanta ninguém; o Braga conseguiu ganhar um estatuto europeu e já se estranha quando não passa para a fase a eliminar da prova. Deixou de ser um ilustre desconhecido para ser una equipa que merece absoluto respeito dos adversários.

O Benfica também conseguiu o apuramento, mas no caso era mesmo obrigatório porque o Lech Piznan foi uma presa fácil. Uma equipa que vinha da Liga dos Campeões, com surpresa, como sabemos tinha a obrigação de ganhar o grupo. Nem o Rangers nem o Standard eram adversários temíveis. Por isso, o Benfica, vindo de um encontro difícil e com muitas peripécias na casa do Marítimo, entrou no jogo para mandar, e fê-lo sem dificuldade do princípio ao fim. O Lech Poznan, como disse era débil e ficou uma goleada mais gorda por assinar.

A fase que se segue será mais complicada, para todos, mas o que devemos realçar é que as três equipas portuguesas vão continuar nas duas maiores montras do futebol europeu.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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