Opinião: Estabilidade e mudanças

 As duas primeiras jornadas mostraram que Benfica e FC Porto estão bem e claramente capazes de discutir este campeonato ombro a ombro.

 Contudo, apesar da valia de ambos os plantéis e da contundência das vitórias alcançadas até ao momento, é visível que os dois candidatos ao título estão a apresentar fórmulas diferentes para chegar ao sucesso.

 Começado pelo campeão FC Porto, tem sido claro que Sérgio Conceição está a optar pela estabilidade em detrimento da inovação. Os dragões fizeram algumas aquisições, nomeadamente para a frente de ataque, mas o 11 escalonado até ao momento contra SC Braga e Boavista não contou com qualquer reforço.

 É provável que Taremi entre nas contas brevemente, mas para já o técnico portista foi conservador e preferiu dar continuidade ao que vinha sendo feito na época anterior, nomeadamente à aposta em Marega como único avançado centro. De resto, Zaidu que poderá ter maior probabilidade de jogar se Alex Telles sair, também continua no banco.

 Por outro lado, o Benfica optou por mudar muito em relação à última temporada, Jorge Jesus foi a primeira alteração desde logo, mas o seu onze inicial tem contado com quatro reforços (Vertonghen, Everton, Waldschmidt e Darwin) e tudo indica que esse número irá subir para cinco com a confirmação da saída de Rúben Dias.

 O central despediu-se das águias no triunfo sobre o Moreirense e selou a sua passagem pela equipa principal com um golo. Para o seu lugar chega. Otamendi, nome bem, conhecido dos portugueses, nas JJ já confidenciou que pretende mais um central.

 Seja o argentino outro reforço, a verdade é que o Benfica passará a contar com cinco unidades novas na sua equipa base (Ferro e Jardel pouco ou nada contam nesta fase) e pode-se dizer desde já que o rendimento subiu em flecha. O Benfica está mais dinâmico, objetivo e multifacetado. São várias as formas para chegar ao golo, sendo que a primeira parte na Luz ficou marcada por um autêntico vendaval ofensivo.

 Na verdade, o 2-0 final é demasiado curto para aquilo que se passou e, perante a valia individual e coletiva dos encarnados, é provável que este domínio se alastre para os próximos jogos, sobretudo enquanto a equipa continuar a jogar uma vez por semana.

 Posto isto, este campeonato tem tudo para ser competitivo no topo e proporcionar uma luta ainda mais acesa do que nos últimos anos.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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