Opinião: desequilibradores

A jornada desta semana fica marcada pela arte e talento que ainda vão passando pelo nosso campeonato, dando corpo a um ataque um mercado positivo por parte da generalidade dos clubes e uma certa resistência em vender em alguns casos que tem tudo para dar frutos.

De Luca Waldschmidt a Corona passando por Luís Díaz Iuri Medeiros ou Rúben Lameiras, foram, vários os apontamentos de registo, fosse através de golos, dribles desconcertantes ou passes de morte.

Começando pelo Benfica, é certo que a atitude competitiva do coletivo fez a diferença desde início (muita pressão e um bloco subido a asfixiar a saída de bola do Rio Ave), mas nada disto teria tradução idêntica no resultado se não existisse um Waldschmidt a desbloquear situações.

Vindo da antiga Alemanha dos panzers, o criativo com ar frágil destaca-se pela técnica e inteligência com que aborda cada lance, além da facilidade de finalização que está a revelar.

Também o toque de classe de Everton fica na retina, mas talvez não tanto como a irreverência de Luís Díaz e Corona. Os extremos do FC Porto partiram a louça na primeira parte em Alvalade, carregaram a equipa para um resultado positivo ao intervalo e expuseram as debilidades da defesa do Sporting com a sua velocidade e capacidade no um contra um.

Contudo, após a pintura do mexicano, verificou-se um certo relaxamento dos dragões, que viriam a pagar caro na reta final ao sofrerem o empate. E por falar em talento, esse não falta a Luciano Vietto, que ainda assim, tarda em confirmar todo o seu potencial. Para já evitou a derrota leonina, mas tem capacidade para fazer mais.

Rúben Lameiras quase guiava a solo o Famalicão para uma remontada categórica bisando e espalhando técnica pelo Algarve, mas Mansilla estragou os planos em cima do fecho.

Já Iuri Medeiros está a aproveitar em pleno a segunda oportunidade que o SC Braga lhe está a facultar. Tida como eterna promessa adiada, o extremo formado em Alcochete regressou a Portugal para conquistar o seu espaço e está a cair no goto de Carlos Carvalhal.

Marcou um golo de forma acrobática e foi determinante no triunfo da equipa sobre um Nacional que vinha mostrando credenciais ofensivas nas jornadas anteriores.

Nota final para João Mário e Filipe Anderson, dois talentos com estreias distintas, visto que o brasileiro ficou ligado ao lance do empate no clássico.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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