A nuvem negra

Bem nos avisaram que o pior ainda estava para vir e o pior está aí, pelo menos para já, Com o número de infetados diários a passar os 10 mil e mais de 100 mortos a cada 24 horas – com tendência, infelizmente, a crescer -, torna-se cada vez mais difícil encarar os dias que vivemos com a suposta normalidade a que nos fomos habituando ao longo dos últimos meses.

A pandemia cresce, as dúvidas também e não é difícil adivinhar que as medidas prometidas pelo Governo para a próxima semana nos vão restringir (ainda mais) os movimentos e, muito provavelmente, voltar a pôr em pausa o desporto nacional, ou pelo menos, grande parte dele. Como sempre, a corda vai voltar a partir pelo lado mais fraco.

O vírus até pode ser democrático na forma e no conteúdo, mas as consequências do mesmo, já todos sabemos, estão bem longe disso. E nem é preciso lembrar os multimilionários que duplicaram fortunas ou todos aqueles que perderam o emprego e passaram de uma vida razoável a uma situação miserável.

Numa escala mais pequena, e obviamente bem menos dramática, basta referir que enquanto o futebol e as mais diversas modalidades retomaram a atividade, a competição nos escalões de formação está suspensa há quase um ano.

Os jovens treinam, mas não jogam, como se a transmissão do mal precisasse de uma ficha de jogo.

Este não é, porém, o momento para reabrir seja o que for e trata-se apenas de um exemplo para colorir os dois pesos e as duas medidas que se tornaram norma neste desgastante Mundo novo. Perante a perspetiva de novo confinamento (quase) geral, resta saber como os governos vão gerir o desporto e, se os últimos meses nos ensinaram algo, a resposta vai ser dúbia e desequilibrada.

Não é difícil adivinhar que as ligas profissionais de futebol e os principais escalões das modalidades vão competir e tudo o resto vai parar. Também sobre o desporto, a nuvem é cada vez mais negra e injusta.

Orlando Fernandes (Jornalista)

Menu