Opinião: as escolhas de Gonçalo Novais na Liga Francesa

Prestes a ser dada por concluída antes de tempo por força da pandemia, a Ligue 1 voltou a colocar mais atletas promissores na alta-roda do futebol internacional, e a consolidar o seu estatuto de “Liga dos Talentos”.

Nas minhas escolhas, optei por colocar destaques mais jovens, o que explica a ausência de alguns «craques» consagrados da competição. Mais do que enaltecer o valor daqueles que todos conhecem, importa dar palco a vários atletas hoje não tão conhecidos do grande público, mas que amanhã serão elementos das mais importantes equipas do futebol europeu.

A descrição dos atletas será o mais simples possível, sem linguagem técnica.

Eis o meu «onze» favorito, bem como o respetivo treinador:

ALBAN LAFONT (NANTES)

A par de Mike Maignan ou Paul Bernardoni, será um dos grandes guarda-redes franceses do futuro. Tanto na liga francesa como na italiana, foi bem-sucedido e titular indiscutível por onde passou e, com apenas 21 anos, já é um veterano entre a elite do futebol internacional. Défices ligeiros de posicionamento são largamente compensados pela sua elasticidade, pelas saídas dos postes temerárias mas excelentes, e pela segurança que as suas intervenções transmitem a toda a equipa.

ZEKI CELIK (LILLE)

Grande descoberta que o Lille foi fazer ao Istanbulspor. Numa equipa em que o processo ofensivo tem muita qualidade, este lateral-direito turco contribui com as suas investidas pelos flancos, e a sua capacidade para jogar sobre qualquer uma das alas. Dotado de um potente remate de pé direito, procura várias vezes os espaços interiores para ter um melhor enquadramento com as balizas contrárias. Tecnicamente é bom, mas pode melhorar. A defender, cumpre.

BOUBACAR KAMARA (MARSELHA)

É uma das explicações para a boa campanha da equipa de André Villas-Boas. Tem 20 anos, mas uma qualidade de desarme excelente, na cobertura defensiva aos colegas de equipa revela um sentido posicional muito bom, e é um central que constrói jogo ofensivo, com o recurso à sua boa qualidade de passe em profundidade. A sua visão de jogo, e características técnicas e táticas tornam-no adaptável às funções de médio-defensivo, e com muito sucesso.

PRESNEL KIMPEMBE (PARIS SG)

Às qualidades apontadas a Kamara, acrescentem-se para Kimpembe uma maior intensidade das suas ações ofensivas e defensivas, e maior competência no jogo aéreo. Sempre de cabeça levantada enquanto procura empurrar o «seu» PSG para a frente, espalha classe por onde joga, e transmite segurança à melhor equipa francesa da atualidade.

FAITOUT MAOUASSA (RENNES)

Um dos jovens destaques de uma das equipas mais agradáveis de seguir esta época. Tem debilidades no jogo aéreo e no posicionamento defensivo, mas a sua velocidade estonteante, uma excelente técnica na condução de bola, o facto de ser um bom driblador, a sua entrega na luta pela recuperação e posse de bola, e a capacidade que tem de aguentar uma intensidade de jogo muito elevada durante os 90 minutos, fazem dele merecedor de outros palcos. Integrou a geração francesa que conquistou títulos europeus de sub-17 e sub-19, e o seu excelente percurso pelas seleções jovens podem augurar um futuro promissor.

LUCAS TOUSART (LYON)

Está no momento ideal para se projetar em direção à elite do futebol mundial. Defende primorosamente, «enche» o meio-campo com inúmeras recuperações de bola, e também contribui para organizar o jogo ofensivo através dos seus passes bem medidos para a frente de ataque. Aos 23 anos, é um jogador de topo no futebol gaulês, e em 2020/21 prevê-se que jogue no Hertha de Berlim. Mas está preparado para muito mais!

HOUSSEM AOUAR (LYON)

A elegância, a classe e a calma com que joga permitem explanar uma qualidade esplendorosa a desenvolver jogadas de ataque a partir do meio-campo. Quando a bola lhe chega, parece que o jogo adquire uma magia capaz de deslumbrar qualquer apaixonado pelo jogo, que desfruta dos dribles e da condução de bola conduzida com toda a competência, em direção ao ataque, onde marca habitualmente golos de belo efeito. Perto de completar 22 anos, tem muito para evoluir, mas há a garantia de que será um dos excelentes jogadores franceses do futuro, e a idade até pode aprimorar as suas valências.

YACINE ADLI (BORDÉUS)

Numa equipa que nem sempre esteve ao seu nível, Adli foi um grande destaque no processo ofensivo do Bordéus. A sua postura é de canalizar sempre o jogo para a baliza adversária, e as suas combinações ofensivas e «tabelinhas» com os companheiros da frente revelam muita inteligência na forma como desenha as jogadas de ataque. Formado no PSG, já se afirmou no Bordéus com 19 anos, e o seu percurso nas seleções jovens, sempre marcado por participações muito promissoras em europeus e mundiais, gera a expectativa de saber até onde evoluirá.

KYLIAN MBAPPÉ (PARIS SG)

Mais ano menos ano, será o melhor jogador do Mundo. Ainda conserva a irreverência do futebol que o projetou no Monaco, mas as suas ações ofensivas revelam uma assertividade e uma orientação cada vez mais vincada para o que se pretende – marcar ou assistir para golo. É a fase em que um jogador coloca todas as suas competências ao serviço do rendimento pretendido. Se a isto somarmos a intensidade que dá ao jogo, temos aqui a descrição perfeita deste grande jogador, que já é um veterano aos 21 anos.

JONATHAN BAMBA (LILLE)

Joga numa das equipas cujo processo ofensivo tem qualidade, ainda que, esta temporada, tenha acompanhado a falta de eficácia da sua equipa no momento de atirar à baliza. Numa liga com vários bons flanqueadores, Bamba tem-se mostrado consistentemente como um dos melhores nos últimos anos, e é pelas qualidades que tem evidenciado nas últimas três épocas – velocidade, técnica no transporte de bola, bons movimentos de desmarcação, em diagonais, para aparecer em boa posição para marcar, drible – que merece este reconhecimento. Precisa, contudo, de melhorar para atingir palcos ainda maiores.

MOUSSA DEMBÉLÉ (LYON)

Seja no Fulham, no Celtic e agora no Lyon, marcou e marcou. É um goleador, que marcou 42 golos nas duas últimas épocas em França, que sabe rematar muito bem com os dois pés, é um cabeceador muito competente, e envolve-se muito com a equipa na construção de jogadas de ataque. Forte nos duelos físicos, é muito frequente vê-lo a recuar para dar apoio aos centrocampistas ou extremos da sua equipa, ou a arrancar em velocidade na direção às balizas adversárias, sendo muito difícil pará-lo, pois também é exímio a tratar bem a bola. Está mais do que preparado para dar o salto para equipas de maior nível.

TREINADOR: ANDRÉ VILLAS-BOAS (MARSELHA)

Chegou a um clube onde não é nada fácil corresponder às exigências dos adeptos, mas a equipa estava a evoluir muito pela positiva. Na defesa, a ação presionante de homens como Rongier e Sanson sobre a primeira fase de construção de jogo dos adversários, o equilíbrio a meio-campo dado por Strootman, e as boas prestações defensivas de Kamara ou Caleta-Car, foram aspetos positivos a reter. No ataque, a equipa é competente a organizar, mas na execução mostra debilidades, e carece de reforços para aumentar a competitividade na próxima época.

Os outros jogadores deste meu “plantel” de atletas promissores seriam:

Guarda-redes: Mike Maignan (Lille) e Paul Bernardoni (Nimes)

Defesas: Kélvin Amian (Toulouse), Duje Caleta-Car (Marselha), Jason Denayer (Lyon) e Domagoj Bradaric (Lille)

Médios: Eduardo Camavinga (Rennes), Aleksandr Golovin (Monaco) e Renato Sanches (Lille)

Avançados: Maxwel Cornet (Lyon), Jonathan Ikoné (Lille), Victor Osimhen (Lille), Kasper Dolberg (Nice) e Habib Diallo (Metz)

Gonçalo Novais

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