Opinião: Amaro Antunes, grato à equipa

 Amaro Antunes sempre foi um homem decidido e tal como a andar de bicicleta está habituado a falar com os jornalistas e a expor as suas ideias. Algarvio de gema, continua a ter pelas suas gentes estima e admiração que não esquece na hora de vencer a Volta a Portugal.

 “A minha equipa foi extraordinária e sem os meus companheiros não estaria a festejar esta importante vitória, porque sempre acreditei que um dia venceria a Volta a Portugal. A vitória é de todos deste o presidente Pinto da Costa, que aqui esteve presente, ao senhor Adriano de Sousa, Quintanilha sem duvida o grande impulsionador desta equipa, o Nuno Ribeiro pela oportunidade que me deu ao voltar a correr nessa equipa e pela confiança que me deu, aos meus companheiros de equipa, mecânicos, massagistas e restante staff. Estou feliz por todos eles mas permitam-me inclui neste momento inesquecível as pessoas do concelho de Vila Real de Santo António, da freguesia de Cacela, dos meus amigos e familiares, em particular a minha mãe por motivos muito especiais”, palavras emocionadas de Amaro Antunes, ao Desportivo Transmontano.

 “Vim para esta corrida motivado e num bom momento de forma, depois de termos trabalhado a preparado a corrida, hoje posso respirar de alívio. Sabia que poderia ganhar, mas se fosse um companheiro meu a fazê-lo também ficava satisfeito. O prólogo não me correu lá muito bem, os 32 segundos que gastei a mais que o Gustavo em Fafe eram importantes, mas nada que não pudesse recuperar”.

 O algarvio declarou ainda que a etapa da Senhora da Graça foi determinante: “Sentia-me muito bem, o grupo que estava na subida era de corredores importantes, sabia onde tinha de atacar. Juntamente com o Frederico, cavámos uma diferença importante, na parte final. Sabendo que era mais rápido que ele, ataquei e consegui a vantagem de 22 segundos, que acabei por gerir com o apoio de toda a equipa”.

 Na chegada à Torre faltou luta e o terceiro lugar fortaleceu o favoritismo do corredor algarvio “Como a etapa era decisiva acabou por ser muito tática. O ritmo imposto pelo João Rodrigues não permitia que alguém, pudesse atacar. Tínhamos controlado o João Benta, Jóni Brandão e o António Carvalho, na reta da meta fui prejudicado pelo nevoeiro porque não tinha a perceção onde se encontrava a meta. Era uma chegada ao meu jeito mas fui surpreendido pelo ataque do Jóni, que acabou por ser um bom vencedor”.

Quando começou a acreditar que poderia ganhar a Volta a Portugal? “Todas as noites quando me deitava pensava nisso. Era um segredo que não podia revelar, à partida do contrarrelógio só pensava em retribuir o apoio de toda a equipa, porque todos os corredores sonham em vencer a corrida mais importante do nosso País. Quando em 2008 venci a Volta a Portugal de juniores, jurei a mim mesmo que tinha de vencer a de elites. Hoje posso afirmar que me sinto realizado com este triunfo, que premeia todo o esforço e muito sofrimento que tive ao longo dos anos, onde nem sempre as coisas correram como eu desejava”.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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