Abel Ferreira

Jorge Jesus foi colocado no topo do Mundo quando, em 2019, levou o Flamengo à conquista do Brasileirão e depois à glória na Taça dos Libertadores, feitos que lhe valeram a atribuição do título de Cidadão Honorário do Rio de Janeiro, Abel Ferreira está a seguir-lhe as pisadas o serviço do Palmeiras.

Se o título na Série A está mais complicado – ainda que vencendo os dois jogos em atraso fique somente a três pontos do líder São Paulo, com mais nove jornadas pela frente -, o continental (América do Sul) está agora à distância de mais uma vitória, no caso sobre o Santos, o rival paulista que começou por ser de Jesualdo Ferreira e se transfigurou o regresso de Cuca, técnico que vai na terceira passagem pelo clube da Vila Belmiro.

Este duelo 100% brasileiro e paulista decorrerá precisamente na Cidade Maravilhosa eternizada no samba de André Filho – virou depois a marcha oficial do Rio de Janeiro- e terá como palco a casa do Flamengo, o Estádio Maracanã onde Jesus virou “Deus” para a torcida do maior clube do Brasil.

Será em terras cariocas que Abel Ferreira terá a possibilidade de voltar a ofuscar Jorge Jesus, como fez ao serviço do PAOK, quando deixou o Benfica sem Liga dos Campeões de 2020/2021.

Ser campeão sul-americano pelo Palmeiras, depois de ter deixado, entre outros, pelo caminho o River Plate, tem muito mais valor do que o título ganho por Jorge Jesus em 2019 ao…River Plate.

É que se o Flamengo investiu milhões em jogadores na era Jorge Jesus, Abel Ferreira aceitou o desafio de treinar um Palmeiras em plena crise desportiva e financeira. Foi com o que herdou de Vanderlei Luxemburgo e o recurso à prata da casa que o português, de 42 anos, colocou o alviverde na final da Taça do Brasil – defronta o Grémio, nos dias 11 e 17de fevereiro – e agora na Taça dos Libertadores.

No próximo dia 30, terá a hipótese de dar o segundo título continental ao Palmeiras e de quebrar um jejum que dura desde 1999.

Orlando Fernandes (Jornalista)

Menu