Opinião: A Liga Portuguesa devia aprender com o campeonato Belga

Há algum tempo que o campeonato português de futebol devia aprender com os bons exemplos que vêm de fora, e o campeonato do país que lidera o ranking mundial de seleções é ilustrativo disso.

Corria a época de 2009/10, e a Jupiler League estreava um novo formato competitivo – num campeonato constituído na altura por 15 equipas, a prova decidiu-se em duas fases, uma fase regular de 30 jornadas, seguida de um «play-off» de apuramento de campeão, disputado num mini-campeonato de dez rondas, entre os seis primeiros da fase regular.

O resultado disto foi a criação de uma das ligas mais interessantes e recheadas de grandes desafios ao longo de temporadas inteiras. Equipas como o Anderlecht, Club Brugge, Gent, Standard de Liége ou Genk disputavam ao longo de uma época não dois, mas quatro eletrizantes desafios, num campeonato que aumentou imediatamente de interesse.

Volvidos dez anos, a Bélgica criou uma das melhores seleções do Mundo, e alguns dos «craques» que abrilhantam os palcos europeus preencheram a história da última década deste competitivo campeonato. Homens como Axel Witsel ou Eliaquim Mangala, que se destacaram no campeonato português, fizeram parte de uma história que levou a Bélgica a recuperar um lugar entre as melhores seleções do Mundo.

Agora, imagine-se um formato desses na Liga NOS. Peguemos nas seis primeiras classificadas atuais, FC Porto, Benfica, Braga, Sporting, Rio Ave e Guimarães. E imaginemos o enorme potencial desportivo e de atração de investidores que não teria um campeonato com doze «clássicos» numa só época, quatro dérbis minhotos entre Braga e Guimarães, e doze jogos em que bracarenses e vimaranenses jogariam, bem como o Rio Ave, contra um dos três «grandes» do futebol nacional…

Numa altura em que uma catástrofe desportiva se abateu sobre as equipas portuguesas nos 16-avos-de-final da Liga Europa, que só foi mitigada pela pandemia que nos apoquenta, ficou hoje bem assente a importância urgente de alterar o nosso formato competitivo da primeira liga, de modo a atrair grandes investidores, e trazer enorme exigência competitiva às nossas equipas, que depois se traduzirá na Europa. Isto sem esquecer o reforço do investimento nas equipas B, que têm sido fundamentais no incremento da qualidade na formação.

É que se já assim temos conseguido excelentes conquistas, imaginemos o que podemos conseguir se o nosso campeonato for tremendamente apelativo. Aprendamos com os bons exemplos que venham de fora. A Bélgica é um deles.

Gonçalo Novais

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