O Sonho do Andebol Português no Campeonato do Mundo

O Andebol Português, depois de um longo hiato de 18 anos de ausência, voltou a um Campeonato do Mundo. Note-se que o último Mundial em que Portugal tinha participado, fê-lo como organizador e aí conseguiu a sua melhor participação, com um 12º lugar, em 24 equipas.

 Quis o destino que este regresso surgisse nesta altura muito complicada universalmente devido à pandemia, onde os nossos Heróis do Mar, superiormente comandados por Paulo Jorge Pereira, se apresentaram com objetivos ambiciosos, catapultados pelo excelente 6º lugar do Europeu de 2020. Ainda fruto desse excelente resultado no Europeu de 2020, teve a responsabilidade de cabeça de série no sorteio e cumpriu cabalmente a atribuição desse “estatuto,” somando por vitórias os 3 jogos da primeira fase. A abrir, o jogo teoricamente mais difícil, frente aos nórdicos da Islândia e vitória segura por 25/23. No segundo jogo, frente a Marrocos e depois de uma primeira parte menos bem conseguida, uma segunda parte fortíssima resultou nuns claros 33/20. A fechar a primeira fase nova vitória segura sobre a Argélia por 26/19.

Apurados para o main round, a tarefa não se afigurava fácil, dada a valia principalmente da Noruega (vice-campeã do mundo nos dois últimos mundiais e terceira no último europeu), da França (6 vezes campeã do mundo, 3 vezes campeã da europa e 2 vezes campeã olímpica) e da mais “acessível” Suíça. Mesmo com este “cenário” os objetivos dos responsáveis portugueses mantiveram-se firmes, na procura da melhor classificação de sempre, tentando chegar aos 8 primeiros e, quem sabe, sonhar com as medalhas!

Frente à Noruega os Heróis do Mar provaram que os objetivos propostos eram atingíveis, vendendo cara a derrota por 29/28, num jogo onde a divisão de pontos seria mais justa. No jogo frente à Suíça, embora sem facilidades, a seleção nacional acabou por vencer por 33/29, deixando a decisão do apuramento para o último jogo frente à França.

Recorde-se que nos mais recentes confrontos com a seleção intitulada de “les expert”, dados os títulos acumulados nos últimos anos, os Heróis do Mar levavam vantagem vencendo no apuramento para o Euro 2020 por 33/27 e, na fase final do mesmo Europeu, por 28/25! Mas aqui, no jogo mais importante dos últimos anos do andebol português, Portugal nunca se sentiu confortável no jogo, quiçá sentindo em demasia o peso de terem um país inteiro ansioso por uma alegria da nossa seleção. No final, uma vitória inequívoca da França por 32/23, o que mesmo assim se traduziu na melhor classificação de sempre do Andebol Português num Campeonato do Mundo, saindo do Egito com o 10º lugar e agora num total de 32 equipas!

Destaque ainda para o infortúnio da dupla portuguesa de árbitros presentes neste mundial, Ricardo Fonseca e Duarte Santos, que logo no seu primeiro jogo, entre o Catar e Angola, uma lesão do Ricardo Santos forçou-os a abandonar a competição.

Foram 2 semanas de sonho, mais ainda para os amantes do Andebol, mas também de muitos portugueses que vibram com os feitos do desporto tuga, sejam eles dos ciclistas (João Almeida e Rúben Guerreiro da estrada e Iuri Leitão, Ivo Oliveira, Rui Oliveira e Maria Martins da pista), dos canoístas (Fernando Pimenta e outros), do motociclismo (Miguel Oliveira), do automobilismo (António Félix da Costa e Filipe Albuquerque), do judo (Telma Monteiro e outros), do ténis de mesa ou de campo e claro do futebol! Esse crédito, o de colocar o ANDEBOL nas bocas do povo, estes HERÓIS do MAR, conseguiram-no por inteiro e, prometem voltar já em março, na busca de novo sonho, o SONHO OLÍMPICO!

Obrigado a todos e a cada um por me fazerem sonhar, “libertando-me” nestes dias dos pensamentos pandémicos! Alfredo Quintana, Humberto Gomes, Gustavo Capdevilla, Diogo Branquinho, Leonel Fernandes, Gilberto Duarte, Alexandre Cavalcanti, André Gomes, Fábio Magalhães, Victor Iturriza, Daymaro Salina, Alexis Borges, Luís Frade, João Ferraz, Bélone Moreira, Diogo Silva, Pedro Portela, António Areia, Paulo Pereira, Paulo Fidalgo, Telmo Ferreira, Paulo Catarino, Frederico Silva, Miguel Fonseca, Augusto Roxo, Sérgio Monteiro, Tiago Oliveira, Danilo Ferreira e Ana Teixeira.

Adriano Tavares (Presidente Associação de Andebol de Vila Real)

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