O REGRESSO AO FUTURO

 Entre 4 de agosto e 29 de setembro, o Benfica viveu 56 dias gloriosos, traduzidos na entrada na fase de grupos da Champions, e de ter, ainda aplicado um histórico 3-0 ao Barcelona, na Luz; ao mesmo tempo, a equipa então orientada por Jorge jesus liderava a Liga portuguesa com sete vitórias e sete jogos.

 Neste período, a liderança do clube, estava Rui Costa, nua espécie de interinidade à espera da realização de novo ato eleitoral. Porém, a partir de 3 de outubro, e vésperas de eleições (realizadas a 9 desse mês), o comportamento da equipa de Jorge passou da excelência à irregularidade, perdendo pontos contra adversários acessíveis (Portimonense e Estoril) e assinando algumas exibições despersonalizadas, mas conseguindo, contudo ultrapassar o Barcelona na corrida à fase a eliminar da liga milionária.

 Foi preciso esperar por 3 de dezembro, derrota devastadora com o Sporting, na Luz, para a época de Jorge Jesus se desmoronar como um, castelo de cartas, essencialmente pelo efeito Flamengo e pela incapacidade de lidar com os clássicos, circunstância que lhe valeu, no Dragão, a eliminação da Taça de Portugal (23 de dezembro).

 Jesus saiu com estrondo, e Veríssimo entrou de pantufas, nascendo nos benfiquistas a secreta esperança da ascensão de um Bruno Lage II. Porém, essa presunção rapidamente foi afastada, um homem é ele e as suas circunstâncias e aquela que se cruzou com Nélson Veríssimo na Luz não estava destinada ao sucesso. O Bessa exemplo mais recente mostrou sem margem, para dúvidas uma ausência total de liderança, na altura em que a equipa mais precisava de rumo.

 Aqui chegados apesar de um ou outro sucesso pontual – fará mal Rui Costa se não acionar, de imediato, mecanismos que aponte a um futuro que vá para lá de Junho. Ou seja, será preferível – assim o escolhido esteja disponível – fazer o que Varandas fez com Amorim ou em 2002 o que Pinto da Costa fez com Mourinho, e dar, atempadamente, ao futebol do Benfica o rumo a convicção e o propósito que não tem.

 Sob ataque de forças diversas a exumação do caso de Bruno Paixão, no pós-clássico, é prova evidente – Rui Costa precisa de mais assertividade na liderança, para não perder o que ainda possui de mais importante, a confiança maioritária dos benfiquistas.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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