O mérito de Conceição

A semana europeia confirmou aquilo que tem sido uma tendência só o FC Porto, neste momento, tem dimensão internacional em comparação direta com os dois concorrentes mais próximos, o Benfica e o Braga.

Tem essa dimensão porque possui um núcleo bem definido, uma base consolidada e um treinador fiel a um estilo de jogo, goste-se ou não, agressivo e muito eficaz, à imagem do perfil dos jogadores. Mas há, contudo, uma grande diferença entre aquilo que tem sido a pálida prestação do FC Porto nos últimos jogos da Liga e aquilo que conseguiu frente à Juventus, onde esteve mais perto de fazer o terceiro golo do que a equipa italiana de reduzir a desvantagem.

A diferença é que teve um grupo comprometido, concentrado e motivado, aquilo que faltou no dérbi com o Boavista. E também, claro, porque Sérgio Conceição votou a mostrar astúcia e capacidade de estudo para manietar adversários poderosos. Se eliminar a Juventus, o treinador abre as portas do futebol italiano na próxima época.

Se o FC Porto tem, uma identidade e um modelo de jogo definidos, o Benfica parece perdido num labirinto de equívocos. A meio da época, Jorge Jesus ainda não tem um princípio de jogo consolidado e ensaia alternativas para surpreender o adversário.

Já mudou o guarda-redes, já experimentou atuar com um avançado em vez de dois, já fez várias experiências no meio-campo e, frente ao Arsenal, voltou a testa um esquema de três defesas centrais que tirou poder de fogo à equipa e lhe roubou capacidade de afirmação no ataque.

Este plano afastou das opções dois jogadores fundamentais na exploração do espaço, na aceleração e também, na concretização ofensiva como são Everton Cebolinha e Rafa.

O empate a um golo deixa tudo e aberto para a segunda mão, mas para passar a eliminatória as águias têm de ser muito mais audazes. Pela amostra, e por aquilo que tem sido a prestação no campeonato, não será esta a época em que o Benfica vai arrasar…

Orlando Fernandes (Jornalista)

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