O jogo com a França

Depois de cinco anos sem necessitar de contas complicadas para garantir qualificações, eis que a Seleção Nacional me obrigou a regressar a esse desporto tão português que é pegar na calculadora e desenhar todas as hipóteses da turma das quinas seguir em frente.

É claro que aqui chegados, há sempre a via direta que passa por não perder com a França, na próxima 4º feira, pode muito bem acontecer que a combinação de resultados nos outros grupos faça com que cheguemos ao confronto com os gauleses já certos de sermos, pelo menos um, dos quatro melhores terceiros classificados.

A ver vamos, mas ontem, num desses jogos que nos interessava, em que o empate entre Suíça e Turquia colocaria ambos abaixo dos três pontos que já temos Seferovic e Shaquiri resolveram para os helvéticos, complicando-nos as contas.

Portugal fez um jogo muito abaixo do esperado, com a Alemanha, e a auto – estrada que se abriu do lado direito da nossa Seleção ainda está por explicar. Cada vez que a Mannschaft trabalhava o jogo pela direita, chamava Nélson Semedo, através da colocação de mais um jogador na área, para fechar ao meio e aproveitava o facto de nenhum dos que passaram pela nossa direita – Bernardo, Rafa e Renato – acompanharem, Gosens, deu-nos xeque após seque, até ao xeque-mate.

Assim como foi dramática a passividade defensiva do meio-campo, fruto, creio, da deficiente recuperação física do jogo com a Hungria para o jogo com a Alemanha, de Bernardo Silva, William Carvalho e Bruno Fernandes. Resta-nos, pois esperar pelo estado da arte nos restantes grupos e a seguir percebemos o que nos faz falta ao jogo com a França, sendo verdade o que Fernando Santos, disse a única coisa importante, seja por que via for, é aceder aos oitavos de final.

Finalmente, um reparo: é verdade que somos campeões da Europa e da Liga das Nações. Mas mesmo assim creio que nunca foi bem avaliada a dificuldade extrema do grupo onde calhámos. Se jogas contra a Hungria, em Budapeste, nunca é fácil e contra a Alemanha, em Munique, é de exigência estratosférica, defrontar a França provavelmente a melhor equipa do Mundo, mesmo que em campo neutro, é sempre, difícil.

Se calhar não teria sido pior assumir, à partida, que pela frente tínhamos um Evereste para escalar.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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