O impacto da pandemia no desporto e no andebol em particular

Com o aparecimento da pandemia do covid-19, toda a sociedade teve que rapidamente se adaptar, numa primeira fase, confinando-se. Muito se tem falado e lamentado e, convenhamos, também algumas soluções foram apresentadas, para minimizar todos os impactos, fundamentalmente económico-financeiros, que facilmente se depreendem duma situação como esta. Todos os impactos mesmo? A nível desportivo o que foi feito pelos nossos responsáveis para mitigar todos os problemas duma paragem, que para a esmagadora maioria do movimento desportivo, vai já em 11 meses?!

Após a paragem de todo o associativismo desportivo, do profissional ao amador, dos seniores aos mais jovens escalões de formação e de todas as modalidades, ainda na época de 2019/20 somente parte do futebol profissional regressou à atividade, embora condicionada e cumprindo um proibitivo protocolo, devido aos custos envolvidos, para qualquer outra modalidade e até mesmo para a segunda liga do futebol profissional. Com a diminuição dos números pandémicos foi autorizada a retoma condicionada dos treinos, mas particularmente para os jogos desportivos coletivos (que mais gente movimentam), esses condicionamentos aliados ao receio dos responsáveis, dos praticantes e principalmente dos pais dos atletas, fez com que a esperada retoma fosse pouco mais do que residual. Somou-se a esses receios o facto de nos estarmos, à data, a aproximar do normal período de férias, em agosto de 2020.

Com a regresso às aulas presenciais, em setembro de 2020, esperava-se que também o desporto pudesse voltar à normalidade, mas, a cada reunião com a DGS, a esperança esfumava-se com as conclusões das mesmas. Mantinha-se assim a possibilidade de treinar de forma condicionada, abrindo-se somente a possibilidade de competir nos escalões seniores. De outubro a dezembro foi-se andando completamente aos “ziguezagues”, pois houve fins de semana em que se podia competir “normalmente”, outros em que só se pôde jogar na parte da manhã e, outros ainda, em que não se pôde mesmo jogar. Toda esta constante indecisão foi muito penalizadora para estruturas semiprofissionais, agora imaginem para estruturas totalmente amadoras!! Chegamos a ter o “cenário” de no início da semana um qualquer jogo se encontrar marcado normalmente, pois a prova em causa seria atividade equiparada a profissional, logo poder-se-iam deslocar para a fazer. A meio da semana a informação era que ter-se-ia de jogar até às 11 horas da manhã e, mais para o final da semana, a informação oficial já era que não se podia jogar! Com isto estou a criticar as diferentes Federações e/ou Associações que organizam as provas? Não, de todo, pois também elas tiveram que cumprir o que lhes era “ditado” pelo governo/DGS!

Chegados a janeiro e com as diferentes Federações/Associações a tudo tentarem fazer para pôr mais gente a competir, proliferaram os anúncios do início de competições de sub-20, que na maioria seriam feitas com atletas juvenis/cadetes com dupla subida de escalão. Os juniores, a maioria desses já estavam nas equipas “b” e até “c” de muitos clubes, a competir também nos seniores, pois só esses estavam autorizados a competir. Com o novo confinamento, a grande maioria dos sub-20 não passaram, para já, espero, do sorteio ou de uma ou duas jornadas no máximo!    

Com a pandemia e as suas já 3 vagas em Portugal, o Andebol não conseguiu, como estou certo teria conseguido, exponenciar a visibilidade/notoriedade ganha com os feitos da nossa seleção nacional. Os feitos esses sucedem-se, pois no regresso às competições europeias depois do mundial, FC Porto e Sporting CP voltaram em grande, ganhando respetivamente ao Vardar, da Macedónia e ao Tratan Presov da Eslováquia.

Com todo este tempo de paragem, aquando da urgente retoma desportiva para além do envolvimento, esforço máximo e responsabilidade de todos os responsáveis das Federações, Associações e Clubes, todos os pais se devem preocupar com a saúde, bem-estar e desenvolvimento dos seus filhos que a prática desportiva lhes proporciona, “devolvendo-os” à prática desportiva. Espero ainda que a resolução da Assembleia da República n.º 54/2021, que recomenda ao governo medidas com vista à retoma da prática desportiva e normalização gradual das competições em contexto de pandemia, se torne efetiva e que, com ela, da esperada “bazuca” europeia, para o desporto possa “sobrar” mais do que uma simples “fisga”!

Os impactos no desporto são, para já, inimagináveis e numa altura em que tanto de fala de saúde pública, se nada for feito, outra pandemia vem a caminho, a PANDEMIA da INATIVIDADE FÍSICA das gerações mais jovens.

Adriano Tavares (Presidente Associação de Andebol de Vila Real)

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