O FUTURO DE JORGE JESUS

Todos os dérbis deixam marca e quem o perde sai sempre fragilizado. É uma verdade histórica. Mas há momentos, em que uma derrota frente ai velho rival provoca uma ferida mais profunda. Este parece ser o caso. Mais que o resultado, foi a forma como o Sporting se sobrepôs ao Benfica. Uma superioridade em toda a linha percetível desde os primeiros minutos, estendendo-se durante todo o jogo. Se um desequilíbrio desta magnitude representa um mau sinal para quem ficou por baixo mais grave se torna quando as incidências reforçam um padrão.

No caso de Jorge Jesus, é disso que se trata: os maus resultados e exibições frente aos principais adversários têm sido uma contante (na segunda passagem pelo clube apenas venceu um dos seis clássicos, e frente a um Sporting já campeão e, portanto em clara descompressão), o que tem gerado forte contestação entre os adeptos encarnados. A questão de fundo parece ser, agora que essa contestação e desconfiança começam a passar para dentro. A posição de Jesus dentro do clube está naturalmente fragilizada e o que acontecer neste mês será decisivo para o futuro do treinador, cujo contrato termina no final da épica, sem que tivessem surgido, até gora, quaisquer indícios que apontem para uma possível renovação.

Rui Costa, está neste preciso momento, sem grande margem de ação. Por tentador que fosse uma medida disruptiva, manda o bom senso manter os pés no chão e esperar pelo desenlace das finais que aproximam: a primeira já na quarta-feira, frente ao Dínamo Klev, que decide a passagem aos oitavos de final da Champions (em simultâneo com o que se passar no Bayern-Barcelona); e depois os clássicos frente ao FC Porto, para a Taça de Portugal e Liga. Se tudo correr bem, 2022 começará com Jesus e provavelmente assim será até final da temporada se correr mal, adivinha-se muito difícil a continuidade no cargo no novo ano civil.

Esta incerteza é normal na vida de um treinador e mais será no caso dele. A péssima temporada 2020/2021 no Benfica fez aumentar os céticos e diminuir a legião de defensores. Por um motivo simples: a aura de mestre de tática, outrora contrabalanço dos seus defeitos, é algo do passado (ou presente apenas no outro lado do Atlântico). Jesus tem dificuldades em vender futuro. Nenhum ideal resiste a um amanhã sombrio.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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