O CARTÃO DE ADEPTO

  Os clubes fizeram barulho, os adeptos também de manifestaram contra, o ruído de fundo foi tanto que chegou à Assembleia da República e o mais óbvio acabou por ser feito: o Cartão do Adepto, uma das medidas desportivas mais controversas e discriminatórias dos últimos tempos, tem os dias contados.

 Para trás ficaram três messes de luta constante e a garantia que o futebol português sabe ser solidário quando está em causa a sensibilidade do público, uma as essências mais genuínas do desporto. Mas não nos podemos esquecer que o caminho para o fim desta decisão foi traçado na antecâmara das eleições legislativas, quando se tomam muitas medidas populares de forma consciente.

 O que tem de ser encarado como uma enorme vitória também implica uma profunda reflexão, porque há aspetos que precisam de ser trabalhados para erradicar o fenómeno de violência dos recintos desportivos. Parte do percurso está feito, mas é preciso olhar em frente e ter a consciência de como se deve chegar ao fim da estrada, porque o futebol continua a ser um campo fértil de confusões entre adeptos e, pior do que isso, um terreno onde ainda abundam claques ilegais, sem rosto definido e capazes de criar uma confusão ao fundo da esquia num simples piscar de olhos.

 Os clubes também, têm aqui um papel importante na luta conta a violência: ajudarem a criar mecanismos pedagógicos, separarem-se mais das claques e a usarem medidas de força como expulsar sócios sempre que sejam infringidas determinadas regras sociais dentro dos recintos.

 A verdade é que ao longo desta luta contra o Cartão do Adeptos muito presidentes também viram, aqui uma janela de oportunidade para caírem, nas boas graças dos adeptos, quando muitos deles sabem, que têm a cabeça a prémio por causa dos maus resultados desportivos. Em parte, é o futebol que temos.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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