O BENFICA NO FIO DA NAVALHA

Curiosamente, a situação em que o Benfica se encontra é de uma simplicidade gritante, com alguns dados que, por tão evidentes, só por agendas ocultas não receberão consenso.

Em primeiro lugar, Luís Filipe Vieira. O seu tempo na Luz acabou, e o processo em curso já tratou de separar águas, havendo inclusivamente a possibilidade forte do Benfica se constituir assistente.

Portanto, das duas, uma: ou Vieira transforma a suspensão em renúncia, sai de cena pelo próprio pé; ou os órgãos sociai deverão agir em conformidade e fazê-lo por ele. Depois, também, não é difícil perceber que o Benfica – e não para esta ou aquela fação – são de transcendente importância quer o empréstimo obrigacionista em curso, quer a entrada na fase de grupos da Liga dos Campeões.

Quaisquer ações que promovam ou potenciem, o inêxito destas operações, só podem, ser entendidas numa lógica de terra queimada, o que não seria entendido pela generalidade dos sócios. Significa isto que, para já, deverá ser decretada uma trégua que permita ao Benfica, com a estabilidade possível, encarar ambos os desafios.

Finalmente, a derradeira condição sine qua non para que tudo o que foi sugerido faça sentido: – A convocação de eleições antecipadas é essencial, o Benfica só sairá verdadeiramente do atoleiro onde se atascou depois de ouvir, com urgência, a voz dos sócios.

O mês de outubro, ligado nas últimas décadas aos atos eleitorais dos encarnados, parece apropriado, já que permitirá não só a preparação da época, como ainda a formação de listas candidatas às eleições, com tempo de fazerem as melhores escolhas e com a possibilidade de levarem as suas ideus à nação benfiquista.

Sejamos absolutamente claros: a atual Direção (e por arrastamento a administração da SAD), só terão legitimidade para pedir um período de acalmia em nome dos superiores interesses do Benfica, se acionarem os mecanismos que conduzam a eleições.

Caso contrário, numa avaliação política, parecerá que estão agarrados ao poder. E como em políticas, o que parece, é…

Também deve ser dito que não parece plausível que o Benfica se deixe liderar por quem tem, apenas, legitimidade formal.

Orlando Fernandes ( jornalista)

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