Motores: à conversa com Valter Tão

Valter Tão, mais um piloto vilarealense, que esteve à conversa com Telmo Augusto (responsável pela secção “Motores” do Desportivo Transmontano).

Valter Tão, faz-nos um resumo da tua carreira desportiva

Iniciei-me em provas no ano de 2008, no Circuito da nossa cidade (Vila Real), com um Datsun 1200 ex-Troféu.
No ano de 2009, utilizei este mesmo Datsun na prova de Vila Real.
No ano de 2010, e por já ter iniciado a preparação do Datsun para Gr.2, e como não tinha carro para participar no Circuito de Vila Real deste ano, 15 dias antes da prova fui a Lisboa comprar, outro Datsun 1200, que nunca tinha corrido, mas que estava preparado para competição com as especificações do ex-Troféu Datsun.
Só voltei a participar em provas no ano de 2015, também no Circuito de Vila Real e estrear o novo Datsun 1200, já preparado para Gr.2.
Voltei a fazer uma pausa e regressei no ano de 2017, participando nas provas do Autódromo do Estoril e no Circuito de Vila Real.

Qual a história do teu Datsun?

A história do meu primeiro carro de corrida, aconteceu num certo dia do mês de Setembro de 2007, estava eu na conversa com um mecânico, numa oficina de automóveis em Vila Real, quando ele me disse “queres comprar um Datsun 1200 do ex-Troféu?” Respondi, “não tenho dinheiro e tenho o outro Datsun 1200 para acabar de montar” (um Datsun 1200 que foi restaurado). Nesse mesmo dia, quando cheguei a casa, comentei com a minha mulher e ela, claro está, nem me respondeu… atitude que eu já não estivesse a contar. Andei durante uma semana com a frase na cabeça “queres comprar um Datsun 1200 do ex-Troféu?”…

Ao fim dessa semana, fui ter com o referido mecânico e perguntei-lhe mais pormenores sobre o Datsun de corrida e quem era o dono. Disse-me quem era o dono mas pensei… ui é um maço de notas, mas não perdi a ideia.

No dia seguinte, dirigi-me ao estabelecimento comercial dessa pessoa, pedi para falar com ele. Após a apresentação pessoal e o porquê de eu estar ali, questionei se queria vender o Datsun 1200.
Respondeu-me “quero e não quero, não tenho pressa, é só por dizer que o carro foi pintado há dois anos atrás e ainda está todo isolado dentro da estufa de pintura no Concessionário em Bragança”.
Falamos sobre o valor e sobre o estado em que o carro se encontrava e ficou combinado ir-mos ver o carro passados dois dias.
Fomos até Bragança e ao entrar no Concessionário disse-me, “pode ir à estufa e entrar e veja á sua vontade”, assim o fiz, e confirmava-se que o carro ainda estava isolado da tal ultima pintura que tinha tido há dois anos atrás.
Falamos sobre o valor e aperto de mãos dado, que para mim a palavra e um “aperto de mão” vale mais que qualquer dinheiro. No decorrer desta conversa, vim a saber que o falecido Manuel Fernandes tinha partilhado o volante com o Emanuel Camilo, na prova de resistência no Autódromo do Estoril.

No dia seguinte fui buscar o carro, tendo pedido ajuda a um familiar que tinha carrinha e atrelado e assim se fez um negócio e o realizar de um sonho de um dia poder correr no Nosso Circuito.
Nesse ano, a prova de Vila Real julgo ter-se realizado em Outubro, mas a proximidade do negócio com a prova, obrigaram a adiar a minha estreia para 2008.


 A tua ligação à marca Datsun levou-te a criar um fornecedor de peças da marca, ou foi o inverso?

Quando nasci, já havia na família um Datsun 1200 e quase como qualquer um de nós, começa-se a ter empatia e gosto por uma determinada marca, no meu caso foi Datsun. Quanto a ser fornecedor, começou por uma brincadeira, num Fórum, onde ia partilhando as fases de restauro de um outro Datsun 1200 que tenho, e desde aí começaram a solicitar-me peças Datsun, nascendo assim mais um hobbie.

O porquê de optares por um clássico?

Os carros clássicos transportam-nos para a nostalgia de outros tempos e como um carro clássico tem quase sempre enquadramento em provas, foram essas as razões, embora quando surgiu a oportunidade de comprar o Datsun, ainda andei a sondar o mercado dentro dos mesmos valores, mas na altura não havia campeonatos que aceitassem os “atuais” Legends, por exemplo.

Um carro desenvolvido, tem um gosto especial correr com ele?

Sim, sem qualquer sombra de dúvida e quando grande parte do trabalho é realizado por nós, em que tentamos aplicar o que de bom e bonito já vimos noutros carros, isso não tem valor.

O que estava pensado para 2020, o que concretizaste e o que ficou por fazer?

No ano passado tinha pensado em fazer pelo menos duas/três provas mas devido à pandemia, ficou tudo parado.

Onde gostavas de chegar, no desporto automóvel?

O meu objetivo de vida no desporto automóvel, já foi alcançado em 2007, ano em que me estriei em competição, num carro a meu gosto e no Circuito de Vila Real.
O que mais se poderia esperar? A vida não proporcionou iniciar-me mais cedo mas, quando se tem esse objetivo e se luta por ele, um dia consegue-se.

Como nasceu o gosto pelo desporto automóvel?

Desde muito miúdo, e por o meu pai gostar também, e de vermos as nossas corridas nos anos 80/90, incutiu-me este gosto, tendo sorte também de ter um tio que pertenceu ao Clube Automóvel de Vila Real chegando a ser Presidente/ Director de Prova em que o acompanhei em muitas provas e em que fui esporadicamente fiscal de pista.

Está pensado participares em outras categorias Rally, Montanha, Rallycross ou outras?

O meu carro está preparado para provas em Circuito, mas com umas ligeiras alterações ainda poderei participar em Rampas. Presentemente não tenho intenções de participar noutro género de provas.

O teu filho já faz uma perninha em corridas de Kart. Gostavas que ele seguisse o desporto automóvel?

Sim, claro… mas o gosto já lhe está enraizado, por isso, a minha parte nesse sentido já está concluída. Agora é só acompanhá-lo.

Quem é o teu ídolo?

Ayrton Senna, quem mais poderia ser!? Cresci a vê-lo na F1.

O melhor momento da tua carreira?

Carreira, ahahah!? A estreia no Circuito de Vila Real e a descer Mateus.

Qual foi, até agora, o teu adversário mais difícil?

Não digo adversário difícil mas fizemos algumas provas engraçadas em que eu e o Francisco Marrão, andamos em despiques nos anos de 2008 a 2010, por sinal com carros iguais (Datsun 1200).

Como é partilhar a pista com amigos?

Para mim, a responsabilidade aumenta na medida em que quando se está a disputar uma prova e temos os amigos/conhecidos com os mesmos objetivos que nós na disputa de cada curva, não quero ser o responsável por prejudicar a corrida deles por um qualquer erro meu.
Mas se houver respeito mutuo, essas disputas tornam-se inesquecíveis.

A tua pista preferida?

Vila Real!

Como é correr em Vila Real?

Sinceramente, correr em Vila Real, é um misto de stress e euforia. Para mim torna-se um fim de semana complicado, uma vez que ao longo de todo o percurso estão familiares, amigos, conhecidos e patrocinadores que de forma involuntária “criam” alguma tensão, tornando-se um fim de semana com responsabilidades acrescidas.
Mas essa responsabilidade compensa pela presença de todos e no fim de cada prova ver, por pior que seja o nosso resultado final, a alegria de todos os aficionados, fiscais, bombeiros e organizadores ao longo do Circuito, não tem explicação.

Planos para 2021?

Tenho previsto fazer as tais duas a três provas que não fiz ano passado, tudo depende do desenrolar desta fase pandémica.

Queres deixar aqui os teus agradecimentos a alguém?

Sim quero, à minha esposa, aos meus filhos, aos familiares, amigos e patrocinadores, que ao longo das esporádicas participações me têm ajudado.

Obrigado Valter Tão, por ter aceitado o convite para esta entrevista ao Desportivo Transmontano. Desejamos a melhor das sortes para a tua vida pessoal, profissional e desportiva

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