Motores: à conversa com Rafael Lobato

Telmo Augusto (responsável pela secção “Motores” do Desportivo Transmontano) esteve à conversa com Rafael Lobato. O jovem piloto vila-realense conta já no seu currículo com um vastíssimo palmarés, onde se destacam vários títulos nacionais conquistados ao longo de uma carreira com mais de uma década.

Rafael Lobato, faz-nos um resumo da tua carreira desportiva ?

Rafael Lobato, 22 anos. Comecei com 8 anos no karting onde venci vários títulos até aos 13 anos, altura em que passei para o Rallycross. Venci logo no ano de estreia, com um Toyota Starlet tornando-me o mais jovem campeão nacional de sempre. No ano seguinte, fui campeão novamente e aos 16 anos faço a passagem para os circuitos, onde me encontro atualmente e é onde amo competir.

2019 foi um ano muito complicado da tua carreira. Qual o motivo da paragem? Não surgiram projetos aliciantes, ou os apoios escasseiam cada vez mais?

O objetivo era um: correr lá fora! O salto em apoios era gigante e não consegui reunir a verba necessário. Não querendo voltar atrás e apresentar um projeto “à pressa” aos patrocinadores, preferimos ficar parados um ano e voltar ao ativo em 2020.

Ficou um amargo de boca por não teres conquistado títulos nos TCR? Estiveste sempre perto de o conseguir, o que falhou?

Sim é verdade, estive sempre bastante perto, mas nunca o consegui. Mas o sentimento é que dei tudo e faltou alguma sorte também. O facto de dividir carro (por falta de apoios monetários), influencia bastante a performance porque nunca tens um carro afinado para ti a 100% e o tempo em pista é metade comparado com outros. Não o considero uma “desculpa”, são factos que temos de viver com eles e era a única maneira de conseguir correr.

Na tua paragem de 2019, quem sofreu mais? Tu, a tua mãe ou o “homem do chapéu” 😀 ?

Ehehe O homem do chapéu não deixa escapar uma! Mas acho que sofremos bastante os 3… considero-nos bastante unidos, e estamos sempre em constante comunicação. Por isso, sentimos os 3 a falta das corridas, do cheiro a gasolina e daquelas borboletas na barriga.

2020 está a ser terrível para toda a gente, onde se incluí obviamente o automobilismo. O que estava agendado para este ano?

Sim sem dúvida, um ano terrível para todos, mas ainda assim este ano está agendada a minha participação no novo campeonato em Portugal, o KIA CEED GT CUP. Vão ser carros de turismo, e será um meio termo entre os Picantos e os TCR. A primeira prova é já dia 18 de Julho, em Portimão.

Como correram os testes com a equipa Ligier? Ficou por ali?

Os testes correram bastante bem, fui o piloto mais rápido do dia com uma diferença de 2seg para o segundo piloto… Mas faltou algo bastante importante, o dinheiro. Estava ali um passo importante para a progressão da minha carreira, mas não é nada fácil arranjar apoios ainda por cima no estrangeiro.

Está previsto para o futuro participações em outras modalidades? Rampas, Rally ou outras?

Previsto não está, eu adoro competir em circuitos, mas como tudo na vida… se existir uma boa proposta há que pensar nisso.

Onde gostavas de chegar, no desporto automóvel?

O meu objetivo é tornar-me piloto profissional. Ser pago por uma marca para competir no estrangeiro com os melhores carros e contra os melhores pilotos do mundo. Formula 1 sei que não chego lá (já vou tarde), mas existem muitos outros campeonatos supercompetitivos em que me via a competir lá. Uma prova que sonho fazer são as 24h Le Mans.

A tua carreira está ligada aos teus maiores apoiantes que sempre te acompanharam desde o 1º dia. Quem é o maior apaixonado pelo desporto automóvel, tu ou os teus pais?

Acho que somos ambos. Como disseste, desde o 1º dia que sinto total apoio deles nas corridas e assim espero que continue nos próximos anos. São um ponto fundamental da minha carreira e resultados obtidos.

Qual foi, até agora, o teu adversário mais difícil?

Pergunta difícil! Ahaha não consigo enumerar um… já tive adversários bem mais velhos, outros mais da minha idade, conforme as corridas e conforme os desafios surgem adversários novos, não consigo dizer um piloto em concreto.

O Starlet, o Corolla, o Saxo, o Radical, o Norma, o Seat TCR, o Audi TCR, o Peugeot 308 TCR? Qual o preferido?

Norma sem dúvida! Um protótipo é algo que queremos sempre pilotar, a maneira como o carro curva e a velocidade que temos e manter em curva para a aerodinâmica começar a funcionar, é algo maravilhoso e que obriga o piloto a mudar o “chip” dentro da cabeça. Dou um exemplo, se tentares fazer uma curva a 50 o carro não vira, mas se chegares lá a 130 ele já curva na boa… porque o vento a passar no carro, empurra-o para baixo, permitindo curvar tão depressa. É algo que me fascina e que nos obriga a estar mesmo concentrados e não permite grandes erros.

Rallycross ou velocidade?

Velocidade. Não digo que não gosto de Rallycross, mas adoro muito mais as pistas. Quem sabe um dia volte a fazer uma prova isolada de Rallycross, mas o objetivo está nos circuitos.

A tua pista favorita?

Vila Real! Não só por deter o recorde do atual circuito, mas porque dá um gozo enorme poder correr em casa e com o publico a apoiar-nos de forma como o fazem! Uma pista “normal”, o circuito do Algarve pela sua dificuldade e gozo que dá. Pistas que gostava de competir, em Le Mans, em Nordschleife e Daytona são o meu Top3.

Como descreves o correr nas ruas da nossa cidade, no Circuito Internacional de Vila Real?

É algo que não consigo expressar! A garra que me dá em acelerar nas ruas da minha cidade, que percorro várias vezes por semana para me deslocar para a universidade, é algo que o capacete tapa e ainda bem! Ehehe As minhas expressões faciais deviam de ser qualquer coisa de lindo ahaha adoro correr cá! As pessoas só ficam a conhecer a adrenalina e a dificuldade do circuito quando competem nele. Se compararmos as ruas normais com a pista, não tem nada a ver! Quando entro para a pista e vejo os rails, wow! Parece que estou cercado e a única saída é em frente. A velocidade que conseguimos atingir, os sons do publico que ouvimos mesmo quando estamos ainda a correr… inexplicável! Quando cruzamos a reta da meta, sentir aquela pressão e adrenalina toda… e ao mesmo tempo começas a ouvir cada vez mais o publico a bater palmas e a mostrar os cartazes de apoio! Por mim corria todos os fins de semana em Vila Real.

Quem é o teu ídolo?

Infelizmente já faleceu, mas era o Ayrton Senna. Dos tempos atuais, Lewis Hamilton. Revejo-me bastante no Hamilton, uma pessoa calma e bem-disposta, mas também sabe que quando é para entrar em pista e dar o máximo, o faz a 101%!

Obrigado “Rafa”, por teres aceitado colaborar com o Desportivo Transmontano. Desejamos a melhor das sortes para a tua vida pessoal, profissional e desportiva.

Fotos by- K1n5E PHOTOS

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