Motores: à conversa com Pedro Fonseca

O convidado desta semana de Telmo Augusto (responsável pela secção “Motores” do Desportivo Transmontano) é o piloto vila-realense Pedro Fonseca.

Pedro Fonseca faz-nos um resumo da tua carreira desportiva?

A minha carreira é relativamente recente, começou nos Kartings há cerca de 20 anos e fiz 3 anos do troféu de karting de Baltar, com bons resultados e mais recentemente participei em 2017 na prova do troféu Mini em Vila Real e de uma forma mais séria com a participação no Campeonato Nacional Legends em 2018 e 2019, campeonatos que venci e que me deixou muito satisfeito.

Chegar ao título nacional estava nos teus planos/objectivos?

Vencer os campeonatos de 2018 e 2019 não estava minimamente nos meus planos, visto estar apenas a recomeçar, no mundo dos automóveis, mas as coisas começaram por correr bastante bem, e dada a fiabilidade do meu Toyota Starlet 1.3, esta acabou por ajudar, mesmo sabendo que não é a viatura mais rápida do plantel, mas é de certeza a mais fiável e uma viatura muito equilibrada e gira para quem quer começar e aprender, dado ser um carro relativamente fácil de conduzir.

O porquê de optares pelo campeonato legends?

Antes de mais, porque as viaturas que correm neste campeonato, são em larga medida as viaturas que enquanto miúdo e jovem, costumava ver a correr, nos anos 80 e 90 em Vila Real, Vila do Conde e Estoril, depois porque como adquiri o Toyota Starlet, que foi um carro que sempre gostei e que tive possibilidades de adquirir, é a categoria onde este se insere. Gosto muito do Campeonato, das viaturas deste campeonato e deixa-me particularmente satisfeito ver o gosto que nós “pilotos”(no meu caso de fim de semana), temos por estas viaturas e por desfrutar das mesmas.

O que estava pensado para 2020, o que concretizaste e o que ficou por fazer?

Em 2020 estava previsto participar novamente no campeonato Legends, melhorar o carro, para atacar o campeonato com melhores condições de obter melhores resultados, dado que a concorrência está cada vez mais forte, mas infelizmente esta situação de pandemia que nos assolou, fez com que não fizesse qualquer prova em 2020, pois as preocupações maiores, era com a saúde de todos nós. A difícil situação económica, que de alguma forma as empresas nossas patrocinadores, ainda hoje estão a sentir, fez com que não tivéssemos qualquer actividade em provas em 2020.

Onde gostavas de chegar, no desporto automóvel?

Acima de tudo gostava de continuar a participar em provas de velocidade. Com 44 anos não tenho o sonho de ser piloto internacional. O que me deixa mais satisfeito muitas vezes e que me dá um enorme prazer é ver o sorriso dos meus filhos (o João e a Maria) e verem o pai a entrar dentro do carro, por o motor a trabalhar e ir para o circuito fazer o que gosta. È optimo ver a minha família a ver-me correr e a acompanhar sempre que podem.

Como nasceu o gosto pelo desporto automóvel?

O gosto nasceu, pelo facto de ser nascido e criado em Vila Real! A nossa cidade respira gasolina há muitos anos, eu nasci em 76 e em 79 e 80 já delirava com o Porsche da Giannone nas nossas corridas, depois nos anos 80, foram os anos fortes do Sidónio Cabanelas, Manuel Fernandes, entre outros e como o meu pai esteve desde muito cedo esteve por dentro da organização do Circuito Internacional de Vila Real, este gosto foi aumentando e posso dizer que já tenho descendentes em casa com 4 e 8 anos, que adoram as nossas corridas.

Está pensado participares em outras categorias Rally, Montanha, Rallycross, ou outras?

A minha paixão é a velocidade e é aqui que quero participar, mas não está fora de hipótese participar em qualquer outra modalidade. Gostava de fazer a Rampa de Murça, devido ao seu traçado e gostava de fazer o Rali do Alto Tâmega.

Quem é o teu ídolo?

A minha família, são eles o suporte deste meu gosto. Mas nos automóveis tive três, Manuel Fernandes, Niki Lauda, Alain Prost e hoje gosto muito do que o Filipe Albuquerque tem feito além fronteiras, sendo ele um piloto de uma simplicidade marcante. Também gostava de ver o Rafael Lobato com uma carreira internacional.

O melhor momento da tua carreira?

A participação no Circuito de Vila Real.

Qual foi, até agora, o teu adversário mais difícil?

Sem dúvida o Pedro Pinto no Fiat Punto, muito embora correr em categorias diferentes, os nossos carros são de andamentos muito semelhantes, e quem nos visse ao longo de 2018 e 2019, parecíamos o cão e o gato, sempre pegados, ora passo eu, ora passava ele, mas sempre com enorme respeito em pista, pois acima de tudo andamos lá para nos divertirmos e chegar ao fim com o carro inteiro.

Como já referimos participas no campeonato legend. Como é partilhar a pista com amigos?

É muito bom, somos todos uma grande família, como já disse, cada um gosta da viatura com que participa e o mais agradável é que todos nós gostamos de corridas, da diversão e é marcante, terminarmos as corridas e vermos uma alegria contagiante nas caras de todos nós. Há uma ajuda muito grande entre todos, nomeadamente dos pilotos de Vila Real, que em grande medida, muitos deles são meus amigos desde criança.

O teu pai esteve e continua ligado ao Clube Automóvel de Vila Real. Como vês a dedicação dele ao longo destes anos a este clube?

Vejo a dedicação dele e não só dele, de muitos que vivem esta paixão, como sendo os verdadeiros amantes de corridas. Não há corrida nenhuma, que eu faça, que não agradeça aos muitos comissários espalhados ao logo do circuito. A eles o meu muito obrigado, pois sem eles não era possível, nós pilotos vivermos esta paixão.

A tua pista preferida?

Vila Real. Mas gostava um dia de participar em SPA e em Le Mans.

Como é correr em Vila Real?

A participação no Circuito de Vila Real, mais do que qualquer vitória, só participar é um momento único. Vamos andando pelo circuito fora, com um brilho nos olhos, um sorriso no rosto, é absolutamente espetacular. Subir Abambres, descer Mateus, é arrepiante, mas muito compensador. Depois subir ao pódio na minha cidade e receber o troféu das mãos do meu pai, foi marcante.

Planos para 2021?

Os planos para 2021 dependem muito da evolução da Pandemia e rezar para que a vacina chegue rapidamente a todos, para participar novamente em provas automobilísticas. O Toyota Starlet está sempre pronto.

Queres deixar aqui os teus agradecimentos a alguém?

Deixo naturalmente um agradecimento á minha família, aos patrocinadores que nos têm acompanhado e em especial ao meu amigo Nuno Gouveia, que me dá assistência nas provas e que os títulos alcançados também são dele. Depois agradecer também ao Hernâni Conceição e ao José Meireles, que me têm ajudado na preparação das provas, com dicas sempre importantes.

Obrigado Pedro Fonseca, por teres aceitado o convite para esta entrevista ao Desportivo Transmontano. Desejamos a melhor das sortes para a tua vida pessoal, profissional e desportiva.

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