Motores: à conversa com Pedro Botelho

Pedro Botelho, o piloto Vila-realense do “berdinho”, esteve à conversa com Telmo Augusto (responsável pela secção “Motores” do Desportivo Transmontano).

Pedro Botelho, faz-nos um resumo da tua carreira desportiva?

Comecei na carreira desportiva, oficialmente, em 2014, com a participação no 44º Circuito de Vila Real, na categoria “Legends Cup Ph 90”, com um Citroen AX GT, no qual ainda alcançamos um lugar no pódio com um honroso 3º lugar, para estreia foi muito bom. Esse ano participei com o principal apoio do “Team Casta Dura”, um grupo de amigos fundadores do Casta Dura criado nesse mesmo ano. um dos objetivos nesse ano era de facto a estreia em Vila Real, mas o objetivo principal era correr num carro meu, com um Austin Mini Cooper S. O Mini nesse ano não ficou pronto para a estreia, ficando a mesma adiada para 2015. Em 2015 foi a estreia do Mini, no 45º Circuito de Vila Real, no Campeonato Nacional Clássicos 1300, que até 2019, me mantive fiel ao mesmo Campeonato.

Participei, em 2016, ainda com a mecânica quase original, no Circuito de Braga, e no Circuito do Estoril, onde obtivemos bons resultados. Em 2017, fui desafiado pelo Paulo Miguel para conduzir o MG Midget, no Circuito do Estoril e até 2019 fui fazendo algumas provas, nomeadamente Circuito de Braga e claro, Circuito de Vila Real.

Conta-nos a história do teu “berdinho”?

O “berdinho” nasceu, através de uma forte amizade com o grande responsável pela criação do Campeonato Clássicos 1300, o Paulo Miguel. A carroçaria era do Paulo Miguel, digamos que era uma carroçaria com “pedigree”, a qual correu muitos anos e ganhou uns quantos Campeonatos nos Clássicos 1300. O Paulo decidiu regressar ao seu MG Midget, abandonando assim a competição com o Mini Cooper S, entretanto, a carroçaria do Mini foi ficando desmontada e a aguardar nova vida. Após algumas trocas de telefonemas, chegamos a um acordo e a dita carroçaria, “viajou” de Cascais para Vila Real. Já em Vila Real, deitei as mãos ao serviço, ao longo de uns anos e fui reconstruindo o Mini Cooper S, uma etapa demorada, mas que compensou o resultado final, estando pronto para o estrear em casa, no nosso Circuito.

O Mini na altura era conhecido como o “Melga”, devido à publicidade da EZALO, quem o conhece sabe que era um mini vermelho, mas como sempre gostei da cor verde, nem pensei duas vezes na cor a ser escolhida, o verde inglês, daí a origem do nome “berdinho”.

O porquê de optares por um carro clássico?

Desde a minha infância sempre existiram carros clássicos na minha casa, o meu primeiro carro foi um Mini. Desde miúdo trabalhei a ajudar o meu pai nas “lides” mecânicas e o bichinho foi crescendo até hoje.

Fui acompanhando diversas provas, circuitos e rampas e os clássicos sempre me fascinaram.
O bichinho ficou e foi crescendo e mantem-se até aos dias de hoje.

O que estava pensado para 2020, o que concretizaste e o que ficou por fazer?

Para 2020, juntamente com a PneuBila, o objetivo era alinhar no Circuito do Estoril e Circuito de Portimão, mas foi um objetivo não realizado, infelizmente, devido aos fatores atuais.

Onde gostavas de chegar, no desporto automóvel?

Já cheguei onde queria. Participo por gosto e carolice.

Como nasceu o gosto pelo desporto automóvel?

Desde criança acompanhava as corridas automóveis, começando claro, em Vila Real. Bastava ir à janela de casa para ver os “bólides” passarem na curva da Araucária. Depois era o Circuito da Boavista e Vila do Conde, Rampa de Murça, que quase todos os anos ia ver. O bichinho já cá estava e com o passar dos anos foi crescendo.

Está pensado participares em outras categorias Montanha, rallys, etc?

Sim, a participação na Montanha. Já coloquei essa hipótese ao Nuno Gouveia, chefe de equipa da PneuBila. E essa questão está continua em cima da mesa.

Quem é o teu ídolo?

Ayrton Senna

O correres com um carro feito por ti, tem um sabor especial?

Sem dúvida que tem um sabor especial. Sei perfeitamente o que está e como foi feito, parece que não, mas ajuda muito quando estás em pista.

A tua pista preferida?

Vila Real, sem sombra para dúvidas.

Como é correr em Vila Real?

São daquelas coisas que não tens palavras para descrever. Corres numa pista conhecida no dia a dia, sabes todas as curvas até de olhos fechados, sentir o público a incentivar e a vibrar quando passas. É sem dúvida inexplicável.

Tem sido complicado passares da 1ª curva no nosso circuito?

Para mim e para toda a equipa…porque depois quem paga são eles, eh eh eh . É uma questão complicada de se responder visto que faço tudo certo, não altero qualquer trajetória para não atrapalhar os carros mais potentes que seguem atrás de mim e depois acontecem estas situações. Mas esta última situação foi pura e simplesmente um abalroamento por parte do outro piloto. Situações que deviam ser punidas por quem de direito. A falta de fair-play dá nestas situações.

Qual foi, até agora, o teu adversário mais difícil?

Não tenho um adversário difícil, mas sim um piloto/carro que gosto de lutar e dar luta. O Paulo Miguel com o MG, pelo facto da amizade que temos e saber que são carros muito semelhantes de mecânica.

O que se passa pelo repentino decréscimo dos clássicos 1300 no campeonato nacional?

A meu ver o problema no campeonato nacional 1300 foi a junção com o campeonato nacional de clássicos. Os pilotos vão perdendo o interesse, visto estarmos a competir com cilindradas bastante diferentes e com carros com mais de 200cv e a juntar a esse facto, é a ausência de fair-play por parte de alguns pilotos.

Planos para 2021?

2021 continua o objetivo que não cumprimos este ano. Alinhar no Circuito do Estoril, no Circuito de Portimão e dar um “salto” à Montanha.

Queres deixar aqui os teus agradecimentos a alguém?

Quero deixar agradecimentos à minha equipa PneuBila, uma equipa que nunca baixa os braços; DouroCar; Barra Cinza; Auto Elétrica Afonso; JD Pneus; Pinturas Marrão & Marrão; Marrão Automóveis; PSW RACING (Pedro Silva Works); Lucas Oil e claro está à minha cara metade, Joana por toda a paciência e apoio e a todos os amigos e familiares que sempre me apoiaram.

Obrigado Pedro, por teres aceitado o convite para esta entrevista ao Desportivo Transmontano. Desejamos a melhor das sortes para a tua vida pessoal, profissional e desportiva.

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