Motores: à conversa com Pedro Alves

Pedro Alves, é um jovem piloto vila-realense, mas já com um vasto curriculum, com vários títulos nacionais conquistados, e esteve à conversa com o Telmo Augusto (responsável pela secção “Motores” do Desportivo Transmontano).

Obrigado Pedro, por teres aceite o convite para esta entrevista ao Desportivo Transmontano. Faz-nos um resumo da tua carreira desportiva?

Muito obrigado pelo convite ao Desportivo Transmontano e ao Telmo, é um gosto para mim responder às vossas perguntas.
A minha carreira, embora curta, já conta com alguns anos, diversos campeonatos e duas modalidades distintas, com títulos nacionais em ambas. Comecei no Ralicross em 2012 com apenas 14 anos, sem qualquer experiência prévia, fosse em Karting ou qualquer outra modalidade. Logo no ano de estreia, ao volante de um Toyota Starlet, obtive vitórias e terminei o campeonato de iniciados em 3º lugar, o que foi para mim uma grande surpresa e alegria. No ano seguinte, com a aquisição do Citroen Saxo que tantas alegrias me deu até hoje, obtive os meus primeiros títulos, também no Ralicross, tendo sido Campeão Nacional de Ralicross Júnior e vencendo a classe 1600 da Divisão Super 2000 (onde terminei em 2º lugar). Depois do meu abandono do Ralicross em 2014, fiz 2 provas nos Super Seven, na Velocidade, de modo a me ambientar a esta nova realidade com que sonhava desde pequeno. Sendo 2015 um ano escolar decisivo para mim, optei por ficar “em casa”, fazendo nesse ano apenas uma prova, que foi a minha estreia no Circuito de Vila Real. Foi também a estreia do meu Citroen Saxo em pistas de asfalto apenas, duas estreias que resultaram numa vitória! Participei no Campeonato de Legends entre 2016 e 2018, com o Saxo, obtendo 4 títulos nacionais muito meritórios. 2019 foi, sem dúvida, um ano que nunca vou esquecer, quer por ter feito a aposta mais competitiva da minha carreira, que era participar no, à data, Troféu mais competitivo de Portugal, quer por o ter vencido no meu ano de estreia! O Troféu Kia Picanto GT Cup, organizado pela CRM com o apoio oficial da Kia.


2019 foi um ano de mudança na tua carreira, deixaste o Campeonato Legends, onde venceste vários campeonatos nacionais e passaste para o Troféu KIA Picanto. O porquê dessa mudança?

Depois de conseguir 4 títulos nos Legends, achámos que era altura de tentar lutar por algo diferente. Um requisito que eu sempre tive na mente, talvez o mais importante, era a competitividade. O grande número de carros em pista e a sua igualdade, despertou a nossa atenção e acabámos por abraçar o projeto do Kia Picanto GT Cup. O forte envolvimento da Kia e a excelente organização da CRM, assim como a grande visibilidade do Troféu acabaram por nos dar ainda mais motivação para avançar.

Estavas à espera de vencer este tão difícil troféu, logo no ano de estreia?

Não estava nada à espera. Entramos num projeto “low cost” em que a nossa participação não incluía qualquer equipa de assistência. O carro foi 100% preparado e mantido por nós, com a ajuda em prova de um grande amigo meu, Pedro Ribeiro, filho do preparador do meu Saxo, Olavo Ribeiro. O objetivo inicial, dada a grande competitividade do pelotão, seria abordar o troféu a dois anos, sendo o primeiro de habituação e aprendizagem. Vencer no ano de estreia, ainda para mais contra pilotos tão conceituados e repetentes no Troféu, nunca esteve nos nossos planos. Proporcionou-se, aconteceu, e deixou-me extremamente satisfeito!

Fizeste também o campeonato Learn&Drive com os Citroen C1. Como foi essa experiência?

A abordagem ao Troféu C1 foi diferente de qualquer outra. Entramos para nos divertir, num troféu com centenas de pilotos, muitos deles amigos. Formámos uma equipa de amigos (Eu, André Martins e Nuno Figueiredo), com o intuito de nos divertirmos em primeiro lugar mas sempre com o objetivo de terminar as corridas e no melhor lugar possível! Tudo começou bem, quando alcancei a Pole position na primeira prova, em Braga, e com um 3º lugar na prova de Portimão, mas infelizmente alguns problemas mecânicos comprometeram os nossos objectivos nas últimas provas do campeonato.

Ainda participaste em Super Especiais, com grandes resultados. Como foram essas experiências?

As super especiais são um tipo de prova que me dá imenso gozo de fazer. Quer pelo tipo de traçado, quer pelo imenso público que atraem. A vitória à geral na 1ª Super Especial de Vila Real foi um momento que sempre ficará marcado pelo grande gozo que me deu por ser “em casa” e pela grande luta que tive com o meu colega de equipa do C1, o André Martins, até à ultima passagem!

Foste eleito pelo 2º ano consecutivo Piloto do Ano de Vila Real. Foi um reconhecimento da tua cidade ao teu talento e trabalho nos anos de 2018 e 2019?

Sem dúvida que sim, é um reconhecimento que qualquer piloto presente na Gala adoraria alcançar e todos os nomeados têm capacidade e qualidade para isso. Trabalhamos sempre muito duro naquilo em que participamos e alcançar, em 2 anos consecutivos, essa distinção, é um grande motivo de orgulho para mim. O meu Obrigado a todos aqueles que acreditam e reconhecem!

2020 está a ser terrível para toda a gente, onde se incluí obviamente o automobilismo. O que estava agendado para este ano?

Sem dúvida que está a ser um ano extremamente difícil para todos nós. A grande prioridade é a saúde e segurança de todos. Consequentemente o resto passa para segundo plano. Desportivamente, tínhamos garantida nova participação no Troféu Kia Picanto GT Cup e estaria em cima da mesa a participação em uma ou outra prova de Legends com o Citroen Saxo. Actualmente está tudo muito incerto, pelo que decidimos não tomar qualquer decisão definitiva até que a nossa vida possa retomar uma relativa normalidade.

Está previsto para o futuro participações em outras modalidades? Rampas, Rally ou outras?

De momento não está em cima da mesa qualquer uma dessas possíveis participações. No entanto, Rampas e Ralis são modalidades que, um dia, espero ter oportunidade de experimentar. A polivalência do nosso Citroen Saxo poderá ajudar nesse sentido!

Onde gostavas de chegar, no desporto automóvel?

O meu Pai sempre me disse: “nunca tenhas um futuro nas corridas como garantido”. Por esse motivo nunca tive grandes expectativas quanto ao futuro, pensando sempre um ano de cada vez. No entanto, dada a minha paixão pelos carros de turismo, acho que um campeonato de topo nessa vertente fosse um excelente futuro.

A tua carreira está ligada ao teu maior apoiante que sempre te acompanhou desde o 1º dia. Quem é o maior apaixonado pelo desporto automóvel, tu ou o teu pai?

Sem dúvida que sem o seu apoio não seria o piloto que sou hoje nem teria alcançado os resultados que alcancei em tão poucos anos de experiência. Essa pergunta é muito difícil de responder porque o meu Pai nunca tendo tido a oportunidade de correr vive as minhas corridas como sendo as dele!

Qual foi, até agora, o teu adversário mais difícil?

O meu adversário mais desafiante foi, sem dúvida o Manuel Gião no Troféu Kia Picanto em 2019. Um piloto extremamente experiente e correto em pista. Fizemos diversas corridas juntos, para-choques com para-choques. A que tenho mais presente foi a penúltima corrida do campeonato, corrida decisiva sobre quem levava o Troféu “para casa”. O Manuel estava nitidamente mais rápido do que eu, mas eu ia na frente. Fizemos voltas a fio colados, eu defendi por onde pude, fizemos inúmeras curvas lado a lado e no final consegui vencer sem nos termos tocado uma única vez. Foi das corridas mais difíceis que tive, a pressão de ter nos espelhos um piloto com mais anos de corridas do que eu tenho de idade é extremamente desafiante.

Campeonato Legends é recheado de pilotos de Vila Real. É bom ou mau ter os amigos ao teu lado em pista?

Felizmente por onde passei deixei sempre mais amigos do que “inimigos”. Correr contra amigos é sempre um pau de dois bicos. Já ganhei e perdi contra amigos e posso dizer que há casos em que se proporcionam as melhores corridas e casos em que preferia que não tivesse de acontecer. Tudo depende de se saber ser um bom ganhador ou um bom perdedor. Quando isso não acontece, infelizmente podem-se estragar amizades nas corridas.

O Saxo, o Picanto ou o C1? Qual o teu preferido?

Acho que cada um tem o seu ponto forte, e são todos pontos diferentes! O Saxo é um carro que não deixa ninguém indiferente com a sua capacidade de se meter no meio dos “grandes”, o que me dá um tremendo gozo. O Picanto é um carro desafiante em que não é qualquer piloto que consegue tirar o máximo partido dele. O C1, embora seja o mais lento dos 3, é um carro extremamente divertido de se conduzir no limite!

A tua pista favorita?

Sem dúvida, Vila Real. Não só por ser a nossa cidade, mas também por ser uma autêntica montanha russa. Um circuito onde a coragem tira mais segundos por volta do que a afinação do carro. A este propósito lembro-me da prova do Troféu Kia em 2019, onde bati nos primeiros treinos cronometrados e fui para os segundos treinos com uma roda a apontar para cada lado, quando ia em linha reta o volante fazia quase 45 graus e, mesmo assim, obtive o 3º lugar entre cerca de 25 carros. Vila Real é um circuito especial, não só para os “da casa” mas para qualquer piloto Nacional.

Como descreves o correr nas ruas da nossa cidade, no Circuito Internacional de Vila Real?

Não tem grande descrição possível. É um gosto enorme, quer pelo público, quer pelos amigos, quer pelo circuito em si. É o fim de semana mais aguardado do ano, é incrível!


Obrigado Pedro Alves, por teres aceite colaborar com o Desportivo Transmontano. Desejamos a melhor das sortes para a tua vida pessoal, profissional e desportiva.

Fotos by : K1n5E Photos (João Necho)

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