Motores: à conversa com Nuno Guimarães

Motores

O carismático piloto Reguense Nuno Guimarães, um dos pilotos com mais provas disputadas no Campeonato de Portugal de Montanha (CPM) é também o Vice-Presidente da Associação dos Pilotos de Montanha (APPAM), esteve à conversa com o Telmo Augusto (responsável pela secção “Motores” do Desportivo Transmontano).

Nuno Guimarães, um breve resumo da tua já longa carreira?

Tudo começou com uma brincadeira nas provas de perícia, onde fiz a minha escola do automobilismo durante a década de 90, entretanto o meu irmão João tinha começado a fazer Ralis com um Toyota Corolla GTi e eu uma altura pedi-lhe emprestado o carro para fazer a Rampa de Murça (foi a minha primeira prova federado) e nessa altura nasceu a minha paixão pela montanha. Pelo meio realizei alguns Ralis como piloto e como navegador e participei algumas vezes no Circuito Internacional de Vila Real. No entanto é na Montanha que está a minha Paixão e já lá estou desde 2006.

No ano do maior crescimento do CPM, tivemos a Pandemia do Covid-19. Já abalou e de que maneira as organizações e as provas agendadas, achas que irá abalar o número de participantes neste ano e nos seguintes?

Sim, tenho a certeza o numero de participantes vai sofrer um abanão, existem pilotos e projectos que estão dependentes dos apoios financeiros que tem e com esta pandemia o dinheiro foi canalizado para a sobrevivência das empresas, os Municípios que de uma forma geral ajudam os pilotos das suas regiões, também utilizaram o seu orçamento para ajudar a prevenir e combater o Covid-19. Por isto sei que os próximos anos não vão ser fáceis para manter ou criar novos projectos no automobilismo, mas acredito que a FPAK os Clubes e as Associações de Pilotos todos juntos vão conseguir superar esta fase menos boa.

És uma das caras da APPAM, como resumirias o trabalho dessa associação?

A APPAM nasceu com o propósito de defender os interesses dos pilotos de Montanha, numa altura em que o nosso Campeonato era o “parente pobre da velocidade”, os organizadores faziam tudo a seu belo prazer e os pilotos não eram “tidos nem achados”, aliado a isso o Campeonato passava por uma crise de participantes e como ninguém mostrava interesse em melhorar esta situação, fomos nós os pilotos que decidimos inverter esta situação com a criação da APPAM, onde inicialmente fizemos questão de marcar uma posição de força, que mais tarde foi reconhecida pela FPAK e pelos Clubes. Nos últimos anos conseguimos juntar todos os Clubes Organizadores de Rampas e com eles ficamos responsáveis pela Promoção do Campeonato de Portugal de Montanha que felizmente tem sido dos melhores Campeonatos Nacionais que temos em Portugal, quer na divulgação, retorno, publico, seguidores e um parque automóvel de grande qualidade.

Vendeste o teu BRC e compraste um SilverCar para a nova época. Do pouco que andaste com ele já deu para sentir algumas diferenças?

Sim, as diferenças são notórias. Embora sejam carros da mesma categoria foram construídos com cerca de 10 anos de diferença. O BRC foi dos primeiros carros deste género a ser construído, enquanto que o SIlverCar já possui todas as evoluções com que este tipo de viaturas foram apetrechadas ao longo destes últimos anos. Mas de uma forma mais directa, o que mais me impressionou no SilverCar foi a capacidade e o equilíbrio de travagem assim como a inserção em curva que é muito boa. No fundo sinto que passei para um carro mais evoluído que me permite andar mais depressa e mais seguro.

O momento mais alto da tua carreira e o menos bom?

Ao longo destes anos tive dois momentos que irei recordar para sempre. Um foi no circuito de Vila Real, quando eu e o Joaquim Teixeira ficamos em terceiro lugar na corrida de sport prototipos e fomos dar a volta de consagração ao circuito em cima da carrinha como se fazia antigamente. O outro foi em 2018 quando consegui ficar em terceiro lugar da geral na Rampa de Santa Marta depois de ter feito uma ultima subida de “faca nos dentes” e consegui nessa ultima subida passar de 5º para 3º. O pior momento que tive na minha carreira foi o dia em que recebi a noticia do falecimento do meu amigo Paulo Ramalho.

Qual é o teu adversário mais difícil?

Não posso dizer que tenho um adversário mais ou menos difícil, mas tenho um por quem nutro um carinho especial pelas “batalhas” intensas que temos tido ao longo dos anos, umas vezes ganho eu outras vezes ganha ele, mas somos bons amigos e temos um enorme respeito mutuo, é o Joaquim Rino e posso dizer que já houve algumas provas em que apenas consegui terminar porque ele me emprestou material do carro dele, sem duvida um bom amigo e adversário ao mesmo tempo.

A tua prova preferida e a que menos gostas?

A minha prova preferida é a Rampa de Santa Marta por todos os motivos e mais algum, o traçado é desafiante, a forma imperial como somos recebidos pela organização e pelo Município, o ambiente de estar a correr em casa, embora também goste muito da prova de Boticas. A prova que menos gosto é a Rampa do Caramulo, acima de todo pelo traçado que é curto e sem grande interesse desportivo

Como vês o empenho e a dedicação do CAR e do município de Santa Marta na organização da Rampa de Santa Marta? Já é uma prova de referência no campeonato de Montanha?

A Rampa de Santa Marta nasce da paixão que as pessoas do Douro tem pelo Desporto Automóvel. A vontade do Município de Santa Marta aliado à competência do Clube Automóvel da Régua, foram “regadas” com a humildade que estas duas instituições tem e o resultado foi o sucesso que esta prova tem tido nas suas 5 edições. sem duvida que a Rampa de Santa Marta ganhou o seu espaço no Campeonato de Portugal de Montanha por mérito próprio e os pilotos são os primeiros a reconhecer que esta prova é uma das melhores do Campeonato.

Já correste no circuito Internacional de Vila Real. Como o descreves, em termos de traçado e da paixão do público?

O Circuito de Vila Real é único em Portugal e existem poucos assim no Mundo, é um sonho para qualquer piloto de velocidade correr em Vila Real. Já tive a felicidade de o fazer 3 anos consecutivos com bons e maus momentos, mas guardo no coração todos esses momentos, mas acima de tudo o carinho do publico dos amigos dos colegas e parceiros de pista, só quem vive estes momentos é que sabe o que nos vai na alma, são fins de semana únicos na vida de um piloto de automóveis.

De tudo o que já conduziste, qual o teu automóvel de corrida preferido?

Tive dois carros que me impressionaram muito, um foi o Audi S2 (António Nogueira) um “monstro” da Montanha e outro foi o Radical SR3 com que corri em Vila Real, dois carros diferentes mas eram os carros certos nas categorias em que estavam.
Mas o meu “amor” sempre foi o meu Mazda MX5, um carro construído por mim e pelo Armindo da DouroCar que nos deu muitas dores de cabeça, mas que também nos deu muitas alegrias e orgulho, vivi bons momentos com ele e acima de tudo diverti-me muito a conduzi-lo. Tenho muito gosto em vê-lo hoje em dia ser conduzido por outro piloto da NJRacing o Nuno Pinto.

A NJ racing é uma equipa familiar, que tem crescido ano após ano. O “cozinheiro de serviço despediu-se” 😀 😀 mas o número de pilotos tem aumentado. Fica por aqui, ou está no horizonte continuar a crescer? O bom ambiente sobrepõe – se à busca de resultados?

Efectivamente a equipa nasceu no seio da minha família, inicialmente comigo nas provas de perícia depois com o meu irmão nos ralis e o meu Pai sempre foi o “Boss” da equipa mas infelizmente por motivos de saúde agora já pouco acompanha a equipa. Na realidade a equipa foi crescendo, já que no inicio eu e o meu irmão tínhamos de dividir o Toyota Corolla para eu fazer Rampas e ele Ralis. Actualmente a equipa tem 4 carros, 2 karts, duas carrinhas de assistência e respectivos atrelados, para alem de todas as condições de paddock para estas viaturas. Se vamos continuar a crescer não sei, mas não será fácil até porque com as nossas vidas profissionais já é difícil coordenar toda esta logística, mas o futuro a Deus pertence. Em relação aos resultados, eles estão sempre no nosso objectivo, mas é para nós impensável participar numa prova sem a presença da nossa família e dos nossos amigos, por isso penso que será correcto afirmar que o bom ambiente sobrepõe-se à busca de resultados.

Obrigado Nuno, desejamos a melhor das sortes para a tua vida pessoal, profissional e desportiva.

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