Motores: à conversa com Nuno Gouveia

O vila-realense, Nuno Gouveia, piloto e preparador de automóveis de competição esteve à conversa com o Telmo Augusto (responsável pela secção “Motores” do Desportivo Transmontano). Obrigado Nuno, por teres aceitado o convite para esta entrevista ao Desportivo Transmontano.

Nuno, faz-nos um resumo da tua carreira desportiva

Desde pequeno que o vicio estava dentro de mim. Comecei, ainda quando era novo, a acompanhar alguns dos grandes nomes que havia em Vila Real. Estive em algumas equipas de assistência, em equipas de motas também, cheguei a ir para algumas provas do mundial de enduro. Mais tarde, antes do ano 2000, adquiri um Golf no qual me estreei em provas de Autocross. De seguida, investi num Ford Escort rs2000 e sempre foi a viatura que mais tempo guiei, no qual me sagrei Vice Campeão Nacional de Rallycross, e participei em muitas provas desde então, tanto de Rallycross, como Rallys. Cheguei também a participar no circuito de Vila Real, 2 anos.

E agora um resumo da PneuBila Racing, da qual és proprietário.

O projeto surgiu em 2013 se não estou em erro, realizei algumas assistências, e depois a coisa começou a ficar séria. Com ideias claras de realizar este projeto em conjunto com o Daniel, o meu filho, ao longo dos anos a família começou a crescer e por este andar já assistimos diversos pilotos em variadas viaturas, também a nível de staff obtivemos um crescimento enorme, e o objetivo será continuar a evoluir, pois já estamos a contruir as instalações para isso.

Piloto ou chefe de equipa, qual preferes?

Decisão difícil visto que “pendurei as botas” por uns tempos eheh. Sempre adorei as corridas, está me no sangue desde novo e adorava guiar, mas infelizmente não dá para conciliar as coisas. Um dos meus grandes objetivos é voltar, mas para já é tempo de dedicar à Pneu Bila Sport Racing, mas apesar de tudo piloto é a minha escolha, se bem que o satisfazer as condições dos meus clientes dá me imenso gosto.

O que estava pensado para 2020, o que concretizaste e o que ficou por fazer?

Se 2019 em termos estatísticos foi sem dúvida o melhor ano da Pneu Bila Sport Racing, 2020 prometia ainda mais. Infelizmente, e como toda a gente sabe, a pandemia afetou bastante o cenário competitivo, e fomos obrigados a não estar presente em nenhuma prova. Apesar de haver algum interesse por parte dos nossos pilotos em participar nas provas que se realizaram, decidimos em conjunto que não seria um ano correto para o fazer, e guardar as cargas para o ano seguinte. Resumindo, ficou muita coisa por fazer mesmo, principalmente a presença no campeonato todo.

Onde gostavas de chegar, no desporto automóvel?

Não tenho ambições internacionais ou algo do género, o que eu gostava muito era mesmo para já de voltar a competir a nível federado, passar mais pelos Rallys que sempre foram a minha modalidade de eleição, e se calhar um dos meus objetivos era partilhar a pista com o meu filho, sempre foi um sonho que temos em conjunto, e tenho a certeza que será um orgulho para ambos, aproveitar também para lhe mostrar que aqui o “cota” ainda está para as curvas, porque ele pensa que me vai ganhar facilmente (risos).

Como nasceu o gosto pelo desporto automóvel?

Como referi anteriormente, sempre me fascinou as velocidades e estar presente nos inícios do que é a competição automóvel em Portugal deu-me muita vontade de querer fazer parte também. Claro que na altura se calhar não havia tanta segurança, mas os pilotos corriam por amor “ao fato” uma expressão, era diferente do que nos dias de hoje, e como cresci nessa geração encaro as corridas de outra forma. O convívio também é algo que me agrada, pois quando corria, era sempre um fim de semana bem passado entre amigos.

O Teu filho Daniel, já passou para o volante. O que sentes? Orgulho ou preocupação?

O meu filho é o meu maior orgulho. Ao contrário do resto da família, que sente sempre aquele medo natural, eu tenho muita confiança nele e sei perfeitamente que aborda as corridas com mentalidade vencedora, mas que tem o juízo perfeito para não passar os limites. Sei que tem o talento necessário, sai ao pai, e tem duas coisas muito boas: é humilde, e tem pessoas que o ajudam imenso, não só a nível de preparação do carro, como de aprendizagem na pista. A parte do carro ainda trato eu, agora lá dentro já é com ele, mas penso que demonstrou estar ao nível de qualquer piloto que enfrentou, mesmo sem nenhum treino, e apesar de o querer ver vencer, o mais importante é que se divirta!

Onde gostavas que ele chegasse no desporto automóvel?

Aos grandes palcos! Que consiga o grande objetivo dele, ser campeão nacional! Mas acima de tudo, que nunca se esqueça de quem lhe fez bem, e de quem sempre quis que ele tivesse sucesso! Este ano o objetivo era mesmo esse, e eu sei que ele ficou bastante triste por pelo menos para já, não começar o campeonato, mas orgulha-me imenso que ele tenha seguido o meu conselho de esperar que as coisas melhorem, e acredito que quando voltar vai ser com uma garra tremenda, confesso que estou curioso para ver como é que vai encarar o regresso às pistas.

Mais duro estar em pista ou do lado de fora?

Fora sem duvida. Quando estamos dentro de pista, uma pessoa esquece-se de tudo, só está concentrada em guiar, enquanto que de fora sente-se tudo, é a batalha contra o cronómetro, é rezar para que ninguém se magoe, que tenham bons resultados, por vezes pode ser bastante stressante!

Quem é o teu ídolo?

Manuel Fernandes. Para mim, o melhor piloto de sempre, e era de Vila Real. Cresci a acompanhar as corridas dele, tive o prazer de conviver com o mesmo, e ainda hoje é com muita saudade que recordo uma pessoa fantástica como o sr Manuel.

O melhor momento da tua carreira?

Tive bastantes, todas as vitórias foram bastante festejadas! Mas lembro me de um rally que venci em Baião, até ao último segundo, foi uma prova impressionante.

Qual foi, até agora, o teu adversário mais difícil?

No Rallycross tive muitas lutas interessantes, para quem conhece o desporto sabe que há muita batalha direta, muito carro com toques, e lá apanhei muitos pilotos de qualidade, inclusive alguns de Vila Real, por isso não consigo nomear um, qualquer um dos que competia contra mim era difícil.

A tua pista preferida?

Quem me conhece sabe que não gosto de velocidade, por isso vou nomear o Rally de Vila Real, é um dos meus grandes sonhos voltar a competir, caso regresse.

Como é correr e preparar carros para correr em Vila Real?

Vila Real é aquela corrida que não passa ao lado de ninguém, para além de correr é o orgulho e responsabilidade que nos passa pela cabeça, de representar a cidade, é fantástico! Tanto correndo como a assistir, a vitória é o único objetivo, mas é uma sensação divinal.

Planos para 2021?

De momento, já temos alguns clientes para o Nacional, mas de acordo com a evolução da pandemia, caso melhore, poderemos dar um saltinho ao Campeonato Nacional de Montanha e talvez a um Rally ou outro, há alguma coisa planeada mas divulgaremos com o tempo.

Queres deixar aqui os teus agradecimentos a alguém?

Desde já agradecer pelo convite, é um orgulho enorme poder responder a estas questões. Em primeiro lugar ao meu filho, acaba por ser o meu sócio e a pessoa que mais me apoia. Aos pilotos, que nos tornam mais fortes e confiam no nosso trabalho. E por fim, a todos os chegados que me ajudam diariamente a ultrapassar barreiras, é muita gente mesmo e só tenho de agradecer por tudo!

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