Motores: à conversa com Luís Nóvoa

Luís Nóvoa, consagrado piloto natural do Porto, mas com raízes ao Peso da Régua, esteve à conversa com Telmo Augusto (responsável pela secção “Motores” do Desportivo Transmontano).

Luís Nóvoa, como é que tudo começou na sua carreira desportiva?

Desde pequeno que sempre tive a paixão pelos automóveis e pelas corridas, pois o meu pai também corria. Nos anos 80, conheci um grande amigo e que era piloto o Guilherme Castro, que viu em mim que tinha jeito e colocou nas minhas mãos um dos seus carros de corrida, um MG Metro de troféu, com o qual em 1985 comecei por participar no Campeonato Nacional de Iniciados. E desde aí, nunca mais parei.

A partir daí foi um somar de provas, vitórias e títulos. Um resumo da sua carreira.

Felizmente, sim. Participei num total de 300 provas em 30 anos. Fiz de tudo, desde Campeonatos Nacionais de Velocidade em Circuitos, Campeonatos Nacionais de Montanha, Provas de Perícia, Rallyes diversos, etc. Durante esses anos, fui Campeão Nacional 4 vezes, e fui Vice-campeão 3 vezes. Fiz muitos Pódiuns, ganhei várias provas, etc. Em 1992 tive um grande acidente, mas felizmente não me deixou marcas, e depois disso ainda ganhei muitas provas. Parei em 2015, mas sempre com a esperança de um dia receber um convite para dar uma perninha em alguma prova.

Qual o melhor momento ou recordação e o pior?

O melhor momento da minha carreira, foi o meu primeiro pódium, no Circuito de Vila do Conde. O pior momento, foi também no Circuito de Vila do Conde, onde tive o maior acidente da minha carreira, que na altura até me davam como morto.

De tudo o que conduziu, qual a viatura de competição preferida?

Tive vários. Mas o que mais gostei, foi o BMW 2002 Ti.

Velocidade ou montanha? Qual prefere?

Sinceramente gosto dos dois, pois fiz muitos campeonatos de montanha, mas também fiz muitos campeonatos de circuitos. Se tivesse de escolher, iria para os circuitos.

Está “parado” há alguns anos. Estava previsto algo para 2020? Ou já está mesmo terminada a sua carreira?

Parei em 2015, e dei por terminada a carreira em 2016. Primeiro, pela dificuldade dos patrocínios, segundo pela falta de disponibilidade, e terceiro porque infelizmente as corridas hoje em dia, perderam muito do espirito que tinham, pois hoje em dia, todos são campeões mesmo correndo sozinhos, e quem tem mais poder económico é que lá anda, mesmo não sabendo pilotar nada, ganham tudo á custa do dinheiro. Mas além disso, é lógico que se me surgisse um convite para fazer alguma prova, eu iria com todo gosto, pois sei que ainda iria incomodar muitos que lá andam…

Onde gostava de ter chegado no desporto automóvel?

O meu gosto era poder ter continuado a correr, enquanto me sentisse competitivo. Onde queria ter chegado, se a minha carreira fosse só as corridas, seria aos campeonatos de carros de turismo, quer fosse cá ou lá fora.

O que ficou por fazer em termos de outras vertentes? Rallycross, Rally ou outras?

Nunca me despertou o Rallycross. Se tivesse possibilidades financeiras, sim gostava de ter feito um ou mais campeonatos de Rallys.

Quem é o seu ídolo?

Michael Schumacher

Qual foi o seu adversário mais difícil?

Tive vários, mas sem duvida o Luís Oliveira nas lutas que tivemos nos clássicos com os BMW.

O Clube Automóvel da Régua, continua a ser o seu clube do coração?

Será sempre o meu Clube de coração, e que representei durante os meus 30 anos de corridas.

Há uns anos fez uma publicação “polémica” sobre o CAR. Já está sarado?

Infelizmente não está sarado, pois nunca recebi uma palavra da atual direção do clube, em relação á forma como fui tratado, nem nenhuma explicação para o que me fizeram. É claro que não tinham razão nenhuma nem explicação, e por isso remeteram -se ao silêncio, o que veio provar que eu tinha toda a razão, como nos anos seguintes se veio a comprovar, com o que se foi passando nas provas que organizaram.

A sua pista preferida?

Estoril

Como é correr em Vila Real?

Desafiante. Tenho o prazer de ter corrido no Circuito antigo, e no atual. Eram corridas com muita adrenalina e era preciso coração, principalmente no antigo Circuito.

Planos para 2021?

Infelizmente nenhuns…. Quem sabe um dia, alguém me convida para uma prova.

Quer deixar aqui os seus agradecimentos a alguém?

Para deixar aqui agradecimentos, poderia deixar alguém esquecido e não quero que isso aconteça, mas agradeço á minha família que desde o inicio me apoiou, e ao meu filho Valdemar Nóvoa, que sempre esteve ao meu lado em todas as provas, e é lógico a todas as equipas de mecânicos que tive ao longo dos anos e aos patrocinadores, que sem eles eu nunca teria chegado a estas 300 provas na minha carreira.

Obrigado Luís Nóvoa, por ter aceitado o convite para esta entrevista ao Desportivo Transmontano. Desejamos a melhor das sortes para a tua vida pessoal, profissional e desportiva.

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