Motores: à conversa com Luís Pedro Martins

Luís Pedro Martins, piloto Vila-realense e proprietário da equipa de competição, Martinsspeed, esteve à conversa com Telmo Augusto (responsável pela secção “Motores” do Desportivo Transmontano).

Luís Pedro Martins, faz-nos um resumo da tua carreira desportiva?

A minha carreira desportiva começou muito cedo. Como piloto federado teve início aos 17 anos quando ganhei o concurso “Onde estão os Ases” e após esta prova integrei uma época inteira na Fórmula Ford, sendo esse o início oficial da minha carreira desportiva. Desde então corri durante longos anos, em campeonatos de velocidade, troféus monomarca, campeonato de montanha, entre outros, onde como é óbvio tive muitas alegrias e alguns dissabores.

E da MartinsSpeed?

A MartinsSpeed nasce em 1997, tendo um percurso com bastante sucesso ao longo destes anos, obtendo sempre títulos anuais de vários campeonatos nacionais. Ou seja, após 23 anos em atividade o balanço como equipa desportiva é muito positivo.

O que estava pensado para 2020?

Seria à partida um ano promissor e de expansão da MartinsSpeed. Tínhamos em mente a realização e diversificação de provas/campeonatos e novos planos para a empresa. Apesar de alguns planos terem que ser inevitavelmente adiados, nas provas que foram efetivamente realizadas e possíveis, todos os objetivos foram cumpridos.

A pandemia travou alguns dos teus planos?

Claro que sim. Por circunstâncias transversais a todos nós, na primeira fase de confinamento estava previsto o inicio da época desportiva, que por si só, ficou estagnado.
Posteriormente de Maio até à presente data, foram sendo realizadas algumas das provas programadas, mas sempre com alguns constrangimentos.
De qualquer forma, saliento que apesar de todas estas limitações é notável o esforço de todos, para que o desporto automóvel continue a seguir.

Está para breve o regresso ao volante?

Faltam 7 dias! No fim de semana de 11 a 13 de Dezembro, vou realizar uma prova ao volante de um Porsche Boxster, no Autódromo do Estoril.
É nas adversidades que temos que provar a resistência e estamos aqui para evoluir. Fizemos a aquisição do Porsche em 2020 e queremos de facto melhorá-lo para ser uma aposta em 2021. Assim, vamos à aventura para o testar ao limite. Para além do teste ao carro, vou-me testar a mim próprio depois de uma cirurgia à coluna em agosto deste ano. Vamos ver se o cirurgião me deixou de facto a coluna nova, ou se vou ter dores nas costas depois da prova. O plano fica em aberto para 2021…

Preferes velocidade ou montanha?

Velocidade, sem dúvida! Na minha opinião pessoal, a velocidade tem na sua essência mais interação e competitividade direta, o que se adapta melhor ao meu estilo de condução em prova.

Onde se sofre mais, ao volante ou na assistência? Qual preferes?

Fácil & simples…. Sofro sempre. Se estiver na assistência, sofro porque não estou ao volante e quero que os meus carros inevitavelmente ganhem. Consigo realizar coisas na assistência, mas não consigo acompanhar o piloto no carro. Se estiver ao volante, sofro simplesmente porque quero conduzir e estar ao mesmo tempo a dirigir a assistência. Se prefiro alguma,,,, ao volante disfruto mais!

Como nasceu o gosto pelo desporto automóvel?

A história é longa… O gosto nasceu comigo…. O meu Pai, adora qualquer desporto motorizado e desde sempre brinquei com veículos motorizados, aos 4 anos eu já andava de mota!
Depois, no pico da adolescência, as motas, os kartings, e a paixão pelo desporto automóvel começava a ser uma realidade, com a aproximação de poder conduzir um carro de corrida.
Resolvi atalhar e não esperei pelos 18 anos! Aos 17 anos, inscrevi-me sem o meu Pai saber num concurso nacional para competir e ganhei! A partir daí, não tive dúvidas esta era a minha paixão!

Como e quando decidiste encostar um pouco o fato de corrida e vestir o de chefe de equipa?

A partir do momento em que resolvi criar a minha própria empresa de competição. Embora conseguisse durante alguns anos manter as duas atividades, a MartinsSpeed assumiu na minha vida um carácter mais profissional, o que me levou a encarar a empresa de uma forma plena e canalizar todos os investimentos para a mesma. Atualmente a MartinsSpeed reúne todas as condições para a realização de qualquer tipo de provas, o que me deixa algum espaço para poder conciliar as atividades, como Chefe de equipa e como piloto.

Está previsto para o futuro participações em outras modalidades? Rally ou outras?

Sim, esse é um dos planos…

Onde gostavas de chegar, no desporto automóvel?

A casa, são e salvo depois de cada prova!
Agora, falando mais a sério… dentro do patamar nacional estamos a um bom nível, com qualidade na execução de qualquer tipo de prova.

Os pontos mais altos e baixos da tua carreira como piloto e como chefe de equipa?

Ora…. Como chefe de equipa, não existem pontos altos e baixos, cada prova é única e nem todas correm por igual, no entanto é sempre um ponto alto de aprendizagem.
Como piloto, a história é outra.
Os pontos mais altos são sempre aqueles em que ganhamos!

Quem é o teu ídolo?

Ayrton Senna! Um exemplo de piloto, com valores excecionais!

Qual a solução que davas para um campeonato nacional de velocidade de sucesso?

Reconheço desde já todo o esforço na organização do campeonato de velocidade. Pensar, programar, concretizar e executar toda a sua logística é um esforço incansável por parte de muitas pessoas, no entanto acredito que de ano para ano as melhorias são possíveis. Ouvir os pilotos e equipas, é fundamental para qualquer campeonato de sucesso. Não gostaria de enumerar nada em particular, porque tal como referi, reconheço o esforço e empenho de uma organização.
De uma forma muito geral, diminuir custos de inscrição, simplificar algumas regras adjacentes e evidenciar as diferentes categorias/pilotos que integram este campeonato, seria desde logo uma abertura para que mais pilotos pudessem usufruir desta modalidade.

De tudo o que já conduziste qual a viatura o que te deixa mais saudades e melhores recordações?

Os protótipos, a escolha foi muito fácil . São sem dúvidas com os quais me identifico.

A tua pista favorita?

Circuito Internacional de Vila Real.

Como é correr em Vila Real?

Do outro mundo… A minha cidade, a minha pista favorita, o circuito onde comecei a ver as minhas primeiras corridas. Em Vila Real a exigência é maior, a pista não permite erros, mas ao mesmo tempo, temos um apoio incansável por parte dos nossos, o que nos aumenta a motivação e nos dá uma sensação indescritível.

Qual foi, até agora, o teu adversário mais difícil?

Ahahahah isso não se pergunta! A ética, não me permite responder.
Somos todos únicos e uns dão mais luta do que outros, não tanto pelas competências porque somos todos bons, mas sim, pela coragem que temos de nos metermos todos em pista!

Queres deixar os teus agradecimentos a alguém?

Ui, não terias páginas suficientes para eu poder responder!!! Ao longo de todos estes anos, teria que enumerar centenas de pessoas que fizeram parte do meu percurso, quer como piloto, quer como equipa.
Assim, deixo desde já os meus agradecimentos e considerações a todos os que de ambas as carreiras fazem e fizeram parte, construindo um sucesso imensurável de momentos e recordações.

Obrigado Luís, por teres aceitado o convite para esta entrevista ao Desportivo TransmontanoDesejamos a melhor das sortes para a tua vida pessoal, profissional e desportiva.

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