Motores: à conversa com João Necho

João Necho, ainda não é piloto mas é um dos mais talentosos fotógrafos da nossa região, ligados ao desporto automóvel, esteve à conversa com o Telmo Augusto (responsável pela secção “Motores” do Desportivo Transmontano). Obrigado João, por teres aceitado o convite para esta entrevista ao Desportivo Transmontano.

João, como é que tudo começou?

Em primeiro lugar muito obrigado eu pelo convite, é com muita satisfação que o recebo.

Eu sempre tive um gosto enorme por fotografia, sempre comprei as revistas e jornais desportivos sempre com o intuito de “ver as imagens” e quando ia ver alguma prova levava sempre a máquina de fotografar lá de casa para ficar com umas recordações. No entanto tudo começou um pouco mais a serio quando em 2017 comprei uma máquina fotográfica, com uma qualidade sensivelmente melhor à já ultrapassada lá de casa, e incitado pela minha namorada e alguns amigos, criei a minha “marca”, “K1N5E PHOTO” com uma pagina no Facebook e conta no instagram aonde comecei a publicar as minhas fotos, e que mantenho até ao presente dia.

Gostavas de um dia fazer vida da fotografia?

Eu tinha esse objetivo, mas hoje em dia é muito complicado fazer da fotografia, neste caso fotografia de desporto motorizado, vida. O meu “plano” é continuar a conciliar este hobbie com a minha vida profissional mesmo sabendo que por vezes me é impossível ir a muitos eventos derivado dessa mesma vida profissional.

O que gostas mais de fotografar, Velocidade, rampas, rallys, e porquê ?

Eu acho que o mais desafiante de fotografar sem dúvida nenhuma que são os rallys porque permitem escolher uma infinidade de locais e perspetivas diferentes. No mesmo rally podes ter ganchos, saltos, terra e asfalto, SE dentro das cidades, tem muita variedade. Tanto nos circuitos como nas rampas estamos mais restringidos, mas mesmo assim adoro fotografar qualquer um destes, deste que tenha motor e rodas. 😜

O que estava pensado para 2020, o que concretizaste e o que ficou por fazer?

Para 2020, uma vez que tinha conseguido a licença da FPAK para Media, estava previsto acompanhar os Campeonatos nacionais de Rallys, Montanha e Circuitos. Neste último ia ter a oportunidade, de pela primeira vez, poder fotografar por exemplo o “nosso” Circuito Internacional de Vila Real ao nível da pista, e não da bancada como tenho vindo a fazer nos anos transatos. Infelizmente ainda não foi desta, mas pode ser que este ano a oportunidade surja.

Contrastante com isto tive a oportunidade de ver ao vivo e fotografar, da bancada mais uma vez, uma corrida de F1, neste caso o Grande Prémio de Portugal de F1 no Autódromo Internacional do Algarve, uma experiência única e inesquecível.

Consegui ainda estar presente em algumas rampas e rallys bem como no Circuito de Braga, mesmo assim muito pouco para o que estava inicialmente planeado.

Onde gostavas de chegar, no desporto automóvel?

O topo para mim seria poder acompanhar a “caravana” de um campeonato mundial, fosse a poder fotografar em circuitos míticos como SPA, Mónaco ou Le Mans, como poder estar no Rally de Monte Carlo ou no da Finlândia por exemplo.

Tens um carro de competição, mas penso que nunca o usaste em corridas oficiais, está nos planos?

Quando adquiri o carro, que na altura estava com especificações para rallys de terra, o objetivo era fazer a Rampa de Murça. O carro ainda foi modificado, com a colaboração do Nuno e do Daniel Gouveia da PneubilaSport e do Filipe Marques da Fourtyres, e ainda fomos a Braga fazer um Trackday para o testar, mas infelizmente ainda não foi possível concretizar esse meu sonho.

DT: Se te dessem uma prova à escolha para fotografares, qual era a escolha?

Uma vez que já tive a oportunidade de fotografar vários tipos de competições diferentes, inclusive F1 no ano passado, teria de escolher o Dakar, quer pelas paisagens fantásticas quer pelos desafios que proporciona.

Quem é o teu ídolo?

Sem dúvida nenhuma Ayrton Senna.

E o ou os pilotos que fotografaste que mais te marcou?

Um dos pilotos que me marcou mais recentemente foi o Hugo Araújo, quer pela rapidez e espetacularidade ao volante do bugzilla, quer pela simpatia e acessibilidade fora das pista.

O melhor momento da tua carreira?

Eu não posso dizer que tenho uma carreira, mas sim um hobbie. Os melhores momentos para mim são sempre que posto uma fotografia, e o piloto em questão gosta e comenta a foto, porque faz valer a pena os sacrifícios para conseguir aquela foto, quer monetários nas deslocações por exemplo, quer no tempo despendido, longe da família e posteriormente nas horas passadas a tratar as fotos.

Ganhares o prémio de fotografo do ano e fotografia do ano na Gala do Desporto automóvel de 2020, foi importante para ti?

Muito, foi o reconhecimento por todo o esforço, dedicação e empenho que tenho levado a cabo até então. Fez-me perceber que apesar de ainda ter muito que evoluir, quer a nível técnico, quer a nível de material, que estou no caminho certo, e agradeço à Epic essa distinção.

A tua pista preferida?

Não tenho uma, mas sim duas pistas favoritas. Vila Real claro porque é a pista da minha cidade, porque é um traçado único e exigente, e é a pista aonde desde que nasci, uma vez que na altura vivendo paralelamente à recta de Mateus, assistia a todas as provas, o que provavelmente me fez o apaixonado que sou hoje por provas automóveis.

A outra sem dúvida nenhuma o Circuito de Vila do Conde. Foi a pista, aonde acompanhado pelo meu pai, vi as melhores corridas ao vivo da minha vida e me fez colmatar a prolongada ausência de corridas no “nosso” circuito.

Fotografar no nosso circuito é diferente de todos os outros?

Infelizmente eu ainda não tive a oportunidade de fotografar o “nosso” circuito ao nível do asfalto, mas mesmo da bancada o ambiente que se vive, a adrenalina que se sente, o conhecer exatamente todas as curvas que os pilotos estão a fazer e o desafio das mesmas é diferente dos circuitos “convencionais”.

Planos para 2021?

Primeiramente que esta pandemia passe de uma vez por todas e que consigamos ter as nossas vidas de volta. Se isso suceder vamos poder ter, finalmente, todos os campeonatos de novo por inteiro, e, por conseguinte, poderia retomar os planos interrompidos em 2020.

Queres deixar aqui os teus agradecimentos a alguém?

À minha mulher e à minha família por todo o apoio e compreensão, ao meu amigo Manuel Carmesim pela ajuda nos “problemas técnicos” e por fim à Epic pelo auxílio na divulgação do meu trabalho.

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